Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 03/05/2026

A questão dos resíduos sólidos é um dos maiores desafios socioambientais do Brasil no século XXI. Embora o país tenha avançado com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, a distância entre a legislação e a realidade ainda é alarmante, revelando uma cultura de descarte que compromete o meio ambiente e aprofunda desigualdades.

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2022, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o país gerou cerca de 81,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2022. Isso representa 224 mil toneladas por dia, ou aproximadamente 381 kg por habitante ao ano.

O dado mais crítico: cerca de 39,5% desse total, ou 32,3 milhões de toneladas, ainda tiveram destinação inadequada — foram enviados para lixões a céu aberto ou aterros controlados, que contaminam solo e lençóis freáticos. O Brasil possui mais de 2.500 lixões ativos, e o prazo para extingui-los, que era 2014, foi prorrogado para 2024 pela lei.

Outro ponto sensível é a reciclagem. De acordo com a mesma Abrelpe, apenas 4% dos resíduos sólidos urbanos são efetivamente reciclados no país. Esse índice está muito abaixo de países como a Alemanha, com mais de 65%. A coleta seletiva atinge somente 14,7% dos municípios brasileiros, e muitas vezes é ineficiente.

gestão de resíduos no Brasil espelha suas contradições: somos um dos maiores geradores de lixo do mundo, mas reciclamos menos de 5%. Enquanto toneladas de material com valor econômico apodrecem em lixões, milhares de famílias dependem dele para comer. Transformar o lixo de problema em solução exige ação conjunta de governo, empresas e sociedade. Como defendia Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Cabe à sociedade brasileira decidir se transformará seus resíduos em crise ou em oportunidade de renda, saúde e sustentabilidade.