Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 03/05/2026

O biólogo Francesco Redi provou que larvas em matéria orgânica não surgiam espontaneamente, mas sim do contato de insetos com o material exposto. Contudo, fora do laboratório, a realidade brasileira reproduz esse cenário, já que a falta de gestão de resíduos cria condições de sujeira em áreas urbanas. Tal conjuntura deriva tanto da omissão do Estado quanto da falta de conscientização social no descarte.

Entretanto, a falha estatal no manejo dos descartes é evidente. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabeleça o fim dos lixões, sua aplicação é lenta. Ao permitir que resíduos acumulem-se ao ar livre, o Estado ignora a lógica observada por Redi, transformando cidades em focos de patógenos. Assim, a falta de aterros sanitários e de suporte a cooperativas de reciclagem alimenta um ciclo de degradação ambiental.

Somado a isso, a passividade da sociedade civil aprofunda o problema. O hábito do descarte indiferenciado, que mistura orgânicos e recicláveis, impede o reaproveitamento e sobrecarrega o sistema de limpeza. Quando o cidadão ignora o destino do próprio lixo, ele acaba colaborando para que o ambiente urbano se torne um criadouro de vetores, repetindo, na prática, o ambiente de contaminação estudado pela biologia.

Portanto, o Ministério do Meio Ambiente deve acelerar a erradicação dos lixões, substituindo-os por usinas de triagem e compostagem. Tais medidas devem ser acompanhadas pela ampliação da coleta seletiva. Paralelamente, o Ministério da Educação deve integrar a educação ambiental no currículo escolar, usando o exemplo de Redi para ilustrar a relação entre higiene, descarte e saúde. Dessa forma, a ciência deixará de ser apenas uma teoria de laboratório para se tornar a base de uma sociedade mais saudável.