Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 04/05/2026

Segundo a teoria do “Antropoceno”, a atividade humana tornou-se a força dominante capaz de alterar irreversivelmente os sistemas biológicos da Terra. Nesse sentido, observa-se que o manejo de descartes no Brasil ignora essa responsabilidade geológica, mantendo práticas obsoletas que degradam o meio ambiente. Dessa forma, torna-se urgente analisar como a negligência política na infraestrutura de saneamento e a insuficiente educação ambiental urbana retardam a solução desse impasse.

Em primeira análise, é fundamental destacar que a falha estatal na implementação de aterros sanitários contradiz o ordenamento jurídico vigente. Conforme o artigo 225 da Constituição Federal, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo ao Poder Público o dever de protegê-lo para as presentes e futuras gerações. Como consequência dessa omissão, áreas de preservação são convertidas em lixões a céu aberto, comprometendo a saúde pública e a biodiversidade local. Portanto, a priorização de investimentos em gestão de resíduos é premissa básica para a justiça socioambiental.

Ademais, a ausência de uma logística reversa eficiente inibe o engajamento da coletividade no ciclo de reaproveitamento. De acordo com o conceito de “Responsabilidade Compartilhada”, estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos, fabricantes e consumidores devem responder juntos pelo ciclo de vida dos produtos. Isso resulta no desperdício massivo de materiais recicláveis que poderiam gerar renda para cooperativas de catadores e reduzir a carga dos depósitos urbanos. Assim, a desarticulação entre os setores da sociedade funciona como um motor para a manutenção do descarte irresponsável.

Em suma, o Ministério do Meio Ambiente deve financiar a criação de aterros sanitários e sistemas de triagem municipais. Isso deve ser feito via parcerias com cooperativas de catadores, visando garantir a destinação sustentável dos descartes e o fomento à economia circular. Além disso, cabe às prefeituras realizar campanhas sobre logística reversa para educar a população. Assim, o país rompe com a lógica do Antropoceno e assegura o equilíbrio ambiental.