Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 04/05/2026

No Brasil, a maneira como lidamos com o lixo sólido muitas vezes minimiza a seriedade da questão, mas a verdade é bem diferente. Mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada em 2010, o país ainda luta contra lixões abertos e uma reciclagem que mal começou. Essa situação escancara tanto erros práticos quanto um abismo entre o que a lei determina e as ações cotidianas.

Primeiramente, a obrigação é de todos, mas quase ninguém se responsabiliza. As prefeituras reclamam de falta de dinheiro, as empresas culpam os consumidores, e a população, mal informada, segue juntando restos de comida com materiais recicláveis. Estatísticas indicam que mais da metade das cidades brasileiras ainda jogam lixo em lugares impróprios, poluindo as águas subterrâneas e prejudicando comunidades inteiras. É um abandono que prejudica a saúde e a natureza.

Em segundo lugar, o retorno das embalagens pelos fabricantes, estabelecido por lei, só funciona para alguns casos, como pneus e baterias, mas trava na maior parte do lixo de casa. As embalagens de plástico, por exemplo, acabam como lixo nos rios e em terrenos vazios. Os catadores de lixo reciclável, que deveriam ser aliados na coleta seletiva, vivem em condições difíceis sem um suporte firme do governo. Enquanto isso, a reciclagem no Brasil não passa de 5% do que é produzido.

Assim, é necessário agir em tres direções: primeiro, programas constantes de conscientização ambiental nas escolas e nos meios de comunicação; segundo, benefícios nos impostos para as cidades que realmente adotarem a coleta seletiva; terceiro, legalização e investimento nas associações de catadores. Apenas quando a população entender que o lixo é um problema de todos e não algo que desaparece magicamente será possível progredir.