Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 04/05/2026
No clássico da literatura brasileira “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata a precariedade da sobrevivência e o descaso estrutural. Fora da ficção, a problemática da gestão de resíduos sólidos na sociedade contemporânea reflete uma negligência análoga, ameaçando a sustentabilidade ambiental. Nesse sentido, percebe-se que a gestão ineficiente de lixo no Brasil é um desafio persistente, impulsionado tanto pela omissão do Estado quanto pela falta de conscientização coletiva acerca do descarte. Em primeira análise, é fundamental destacar que a insuficiência de políticas públicas efetivas impulsiona o problema. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha sido estabelecida em 2010, a realidade de muitos municípios brasileiros ainda é marcada pela presença de lixões a céu aberto e pela ausência de coleta seletiva estruturada. Segundo o filósofo John Locke, o Estado deve garantir o bem-estar social; contudo, ao falhar na gestão de detritos, o poder público expõe a população a riscos sanitários. Dessa forma, a negligência estatal perpetua um cenário de atraso no desenvolvimento sustentável do país. Ademais, convém ressaltar que a cultura do descarte irresponsável também contribui para a persistência da questão. Sob a ótica do sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se em uma “modernidade líquida”, na qual os objetos são rapidamente substituídos e descartados, gerando um volume de lixo superior à capacidade de processamento. A falta de educação ambiental nas escolas resulta em um cidadão que não se reconhece como parte da solução, ignorando a importância da reciclagem e da redução do consumo. Como consequência, o acúmulo de poluentes em ecossistemas vitais compromete a saúde pública e a biodiversidade.