Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 05/05/2026
Na sociedade brasileira, profundamente marcada por desigualdades socioeconômicas, a gestão inadequada de resíduos sólidos não é mero problema ambiental, mas uma violação à dignidade humana, exemplificada pela marginalização de catadores em lixões a céu aberto. Segundo o IBGE, o país produz cerca de 80 milhões de toneladas de lixo por ano, com grande parte descartada de forma irregular em rios e periferias. Diante disso, é preciso analisar falhas na infraestrutura pública de coleta e reciclagem e impactos sociais sobre vulneráveis.
A precariedade na infraestrutura pública de coleta seletiva e reciclagem agrava a crise, perpetuando um ciclo vicioso de contaminação e desperdício. Relatório da Abrelpe revela que apenas 3% do resíduo gerado é efetivamente reciclado, enquanto lixões clandestinos poluem solos, lençóis freáticos e o ar em áreas urbanas pobres. Essa realidade compromete a saúde pública e agrava desigualdades regionais, como no Norte e Nordeste, demandando investimentos prioritários em sistemas modernos e acessíveis.
Ademais, os impactos sociais afetam populações vulneráveis, como catadores explorados em lixões. O antropólogo José de Souza Martins, em “A Cultura dos Catadores”, destaca riscos sanitários sem proteção, ferindo a dignidade humana da Constituição de 1988. Essa exploração reforça ciclos de pobreza, exigindo políticas que promovam inclusão produtiva e respeito aos direitos trabalhistas.
Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em parceria com associações de catadores e ONGs ambientais, implementar programas nacionais de educação ambiental nas escolas e comunidades, por meio de campanhas digitais, oficinas práticas e criação de cooperativas remuneradas com treinamento técnico. Essa ação visa elevar a taxa de reciclagem, gerar empregos dignos e mitigar desigualdades, em prol da garantia de direitos humanos fundamentais. Assim, uma gestão responsável construirá um Brasil limpo e sustentável para as gerações futuras.