Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 29/08/2019
Na Literatura, os poetas árcades buscaram enaltecer a imagem da natureza como lugar essencial para a sobrevivência dos seres vivos. No entanto, apesar da sua importância e da formulação de leis protecionistas nos dias atuais, a má gestão de resíduos pelos municípios está agravando o principal problema brasileiro: efeitos do acúmulo de lixo na natureza. Assim, evidencia-se a necessidade de analisar criticamente os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso na luta a favor da sustentabilidade. Martin Luther King, importante ativista cívico africano, diz: " a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Tal assertiva se refere à inclusão da Teoria dos “5 R” na escola - reciclar, recusar, reduzir, reutilizar e repensar - com o objetivo de conscientizar os alunos desde as séries iniciais quanto às suas práticas sustentáveis. Além disso, até 2015 estava em vigor a Lei 12.305, a qual torna a destinação de 20% do total de resíduos para a reciclagem um compromisso do país. Por exemplo, no município Chapadão do Céu, no Estado de Goiás, a prefeitura investiu maciçamente na infraestrutura de unidades de coleta, onde separa o lixo orgânico do inorgânico, ambos destinados à reciclagem.
Ademais, também é indispensável destacar os desafios enfrentados no gerenciamento de resíduos no Brasil. De acordo com a plataforma digital Veja, apenas 2% dos orçamentos dos Estados são direcionados à área ambiental e isso se agrava quando, por meio de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, foi comprovado que a maior parte do lixo sólido está sendo lançado em aterros sanitários; algo grave, tendo em vista que os resíduos quando entram em decomposição liberam substâncias tóxicas ao solo. Somado a isso, as escolas brasileiras discutem sobre a sustentabilidade de modo superficial em salas de aula - impedindo o aluno de refletir - e isso se deve a ausência de uma educação ambiental capaz de formar indivíduos preocupados com a preservação da natureza.
Depreende-se, portanto, que a ausência de investimentos na gestão de resíduos pelas cidades brasileiras e a não inclusão da educação ambiental nas escolas podem ser prejudiciais para a preservação da natureza. O Poder Legislativo, órgão responsável pela formulação da legislação, deve ampliar o tempo da obrigatoriedade de reciclar 20% do total de resíduos - por exemplo, passar o tempo limite de 2015 para 2060 -, por meio da reelaboração da Lei 12.305, para que haja amenização no volume de lixo acumulado até os dias atuais. Junto a isso, cabe ao Ministério da Educação investir na educação ambiental, por meio de palestras, gincanas e aulas interdisciplinares, objetivando ampliar o conhecimento dos alunos sobre os métodos de redução, geração e eliminação de resíduos. Enfim, tais medidas devem ser imediatamente iniciadas para tornar o Brasil um país mais sustentável.