Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 05/09/2019
Reciclar Ideias
Segundo Jürgen Habermas, filósofo alemão, a sociedade depende da crítica às suas próprias tradições. Logo, os indivíduos precisam ser capazes de questionar e mudar hábitos. Essa lógica reflete-se no alarmante cenário da gestão de resíduos na sociedade brasileira, o país é o quinto maior produtor mundial de lixo. Sem dúvida, esse excesso de despejo provoca prejuízos de ordem ambiental e socioeconômica, por conseguinte, demanda uma análise crítica a fim de reverter tal situação.
A princípio, com base no estudo do economista norte-americano Thorstein Veblen, os bens de consumo podem ser entendidos como objetos que as pessoas adquirem para expressar, por exemplo, estilo de vida ou status social. Nesse sentido, se consome de forma exagerada e, consequentemente, enormes quantidade de lixo são gerados, cuja destinação imprópria resulta em contaminação do solo e lençóis freáticos, devido à infiltração de chorume. Com efeito, a utilização dessa água contaminada, para irrigar plantações ou consumo direto, é um risco sério, uma vez que possui altas concentrações de metais pesados e, em suma, podem adoecer populações inteiras rapidamente.
De outra parte, os resíduos mau geridos são um desperdício de potencialidade socioeconômicas. A atividade de coleta seletiva, reciclagem e reúso oferece oportunidades de inclusão social, por intermédio de cooperativas que geram emprego e renda nesse setor. A exemplo disso, a Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Belo Horizonte (ASMARE), criada em 1990, é parceira da prefeitura e conta com 180 associados responsáveis por recolher cerca de 460 toneladas de resíduos mensalmente para serem reciclados. Além disso, é evidente o importante papel social da ASMARE, pois acolhe moradores de rua e ex-detentos ao oferecer novas possibilidades, bem como contribui para atenuar o estigma recorrente no cotidiano de catadores.
Urge, portanto, direcionar esforços para evitar a problemática da má gestão de resíduos sólidos no Brasil. Cabe aos municípios limítrofes se unirem para estruturar aterros sanitários compartilhados, por meio de investimento em conjunto, assim os custos são reduzidos e a experiência de administrar tal local é dividida. Dessa forma, uma maior parte do lixo dessas cidades será concentrado, destinado e tratado adequadamente e, como resultado, se reduz a contaminação de água e solos, assim como o risco à saúde. Ademais, é papel de ONGs do setor, mediante campanhas em mídias sociais, orientar a população a rever seus hábitos de consumo no intuito de evitar a geração de restos e, caso ocorra, adotar medidas simples em seu cotidiano como a separação dos recicláveis, para possibilitar aos catadores recolher mais, de modo que voltem a ser utilizados antes que tenham de ir para os aterros.