Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 17/09/2019

A História das Coisas, curta metragem de Annie Leonard, analisa a produção dos bens de consumo desde a sua origem como matéria prima até esse se tornar um resíduo. Assim, detecta que o atual modelo econômico propicia o curto tempo de utilização de um produto, o que intensifica a produção de lixo. Diante disso, um contexto que dialoga cabalmente com a realidade brasileira, pois essa não consegue gerir de forma adequadamente os resíduos que produz, devido ao fato de corpo social está estruturado no consumo e na falta de ações sustentáveis.

Em primeiro lugar, não há como dissociar a questão da má gestão do lixo no país com a forma de consumo da humanidade. Posto que, a sociedade revela um comportamento ilustrado pelo sociólogo Zgymunt Bauman de que “vive-se em tempos líquidos, nada foi feito para durar”, uma vez que a obsolescência programada dos produtos é uma realidade naturalizada pelo corpo social. Como se observar, nos bens duráveis que teoricamente deveriam possuir um tempo de vida útil longo, entretanto, nesse modelo consumista, facilmente se torna ultrapassado e com intervalo curto de vida. Dessa forma, os resíduos são produzidos constantemente no seio social, o que resulta, assim, no descarte incorreto desses, o que contamina solos, rios, por exemplo.

Em contrapartida, a logística reversa propõe a integração do resíduo de novo na cadeia produtiva, mediante a isso, permite a diminuição da produção de lixo. Ademais, os resíduos podem fomentar a geração de renda e emprego pelas cooperativas de coleta seletiva, reciclagem e reuso. No entanto, a sociedade brasileira demonstra que não acordou sobre a necessidade de aderir a sustentabilidade. Dado que, segundo o filósofo Arthur Schopenhauera, a vontade é a essência de todas as coisas, consequentemente, se houvesse o interesse do corpo social de reduzir a quantidade de lixo e gerenciar esse de forma eficiente, a população já teria pressionado as instituições a aderir esse modelo de responsabilidade. Contudo, a apatia do brasileiro, permite que o país seja a quinta nação que mais produz lixo no mundo, segundo dados da ONU, Organização das Nações Unidas.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação fomentar programas que serão implantadas nas instituições escolares sobre a importância de desenvolver o consumo responsável. Para tanto, esse contará com aulas de professores de biologia e integrantes de Ongs- Organizações não governamentais- que apresentarão mediante a debates e palestras os danos promovidos pela intensa produção de lixo resultante, principalmente, do consumo. Com objetivo de que, assim, construa cidadãos mais responsáveis em suas ações e que pressione o Estado adotar medidas eficientes para gerir os resíduos que são produzidos no país.