Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 24/09/2019

Na animação “Wall-E”, de 2008, a Terra tornou-se inabitável aos seres humanos, devido à imensa quantidade de lixo que cobre o planeta. De maneira análogo, os impactos ambientais causados pela ausência de responsabilidades ecológicas no Brasil são inegáveis e colocam em risco a vida da população. Diante disso, deve-se analisar como a omissão dos indivíduos e a falta de políticas públicas influenciam a problemática.

É relevante enfatizar, a princípio, que o descompromisso de grande parte dos cidadãos é o principal obstáculo para sustentabilidade. Isso ocorre porque, na pós-modernidade, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Amor Líquido”, as pessoas não buscam se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e a maioria da população acaba, muitas vezes, não se importando em separar os lixos, conforme os seus materiais, e fazer a reciclagem desses utensílios. Dessa forma, o que prejudica para que esses materiais não sejam reutilizados novamente na sociedade.

Além disso, destaca-se, ainda, a inércia do Estado como impulsionador do problema. Isso acontece porque o Governo Federal não impõe uma política rígida que exija responsabilidade ecológica dos cidadãos brasileiros. Nesse caso, enquanto, por exemplo, na Alemanha, atribuí-se tarifas conforme a qualidade e a quantidade do lixo produzido, no Brasil, a ausência de restrições corrobora para o consumismo de produtos industrializados. Desse modo, são provocados o aumento da produção de resíduos, sobretudo eletrônicos, facilitando a contaminação do solo, do ar e da água, e a biogênese de agentes etiológicos - um problema não só ambiental, mas também de saúde pública.

Infere-se, portanto, que a parceria entre o Estado e a sociedade faz-se indispensável ao aproveitamento do potencial sustentável brasileiro. Nesse sentido, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar nos ensinos infantil, fundamental e médio. Tal disciplina, com o intuito de desconstruir o individualismo, deverá disseminar o hábito da empatia em relação ao meio ambiente. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente deve regulamentar formas de se reduzir a produção de lixo, a exemplo da permissão da troca de materiais recicláveis por créditos no transporte público e da aplicação de medidas que em países desenvolvidos obtiveram sucesso, como a da Alemanha.