Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 28/10/2019
A partir de 1930, o processo de urbanização dado pela introdução da indústria no Brasil desencadeou uma série de desafios a respeito da organização populacional dos grandes centros, sobretudo a administração da grande quantidade de lixo gerado na sociedade. No entanto, embora tal problema tenha origem à séculos atrás, a má gestão dos resíduos no país persiste nos dias atuais e são capazes de gerar inúmeras consequências socioambientais. Diante disso, é imprescindível que a faceta governamental busque alternativas de reaproveitamento.
A priori, a má administração do lixo por parte dos agentes públicos podem intensificar os problemas ambientais e sociais. A utilização de lixões - tendo em vista que segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, no Brasil tal prática ainda representa 60% do destino dos efluentes - além de produzir metano que contribui para o efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica ao infiltrar no solo pode contaminar o lençol freático. Ademais, a deposição desses rejeitos próximo aos centros urbanos facilita a proliferação de doenças como a leptospirose e, consequentemente, a sobrecarga do sistema de saúde que, por si só já sofre com falta de recursos. Dessa forma, ao contrário da política Aristotélica, em que um bom governo seria aquele capaz de garantir o bem comum, percebe-se que a escassez de projetos capazes de aprimorar o destino do lixo são reflexos da falta de preocupação das autoridades em preservar o meio ambiente e garantir a qualidade de vida das futuras gerações.
Por outro lado, é importante destacar que o reaproveitamento de rejeitos possibilita o desenvolvimento de atividades socioeconômicas. Tendo em vista o grande volume de embalagens produzidas pelas indústrias, os mecanismos da logística reversa, em que visa o retorno desses materiais à cadeia inicial, seria uma alternativa para a reutilização. Outrossim, o aproveitamento energético como a produção de gás e termelétricas a base de lixo favorecem a diminuição desses efluentes e representa uma opção de descarte. Entretanto, a falta de atuação do Estado por meio de ações como incentivos fiscais faz com que tais processos não se efetivem.
Infere-se, portanto, que a má gestão dos resíduos na sociedade brasileira representa a negligência do governo. Nesse aspecto, é crucial que o Ministério do Meio Ambiente aprimore a legislação em defesa dos recursos naturais, criando leis que proíba a construção de lixões a céu aberto, no intuito de evitar a emissão de gases poluentes e a contaminação das águas. Além disso, é importante de o Poder Legislativo estimule a criação de empresas e cooperativas de reutilização e reciclagem, mediante aos incentivos fiscais e redução de impostos, a fim de reduzir a quantidade de rejeitos descartados. Dessa forma, será possível promover o bem da população, assim como propõe Aristóteles.