Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 25/04/2020
No Brasil, a industrialização se intensificou durante o Governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), com a criação de medidas alfandegárias para incentivar a vinda de empresas multinacionais. Em decorrência desse processo, e por influência dos meios de comunicação, a sociedade vem se tornando cada vez mais consumista. Esses processos colocam o Brasil como o quinto maior produtor de lixo no planeta, segundo estudos da ONU. Nesse contexto, a ineficaz gestão atual do lixo é um problema, pois gera prejuízos ambientais e socioeconômicos.
Primeiramente, é fato que a crescente produção de lixo é causada pela cultura do consumismo. A população, desde a industrialização do Brasil, é influenciada a consumir cada vez mais, sem real necessidade. Isso ocorre através da “obsolescência programada” - o produtor, de forma proposital, desenvolve produtos de forma que ele se torne obsoleto ou não-funcional rapidamente, forçando o consumidor a comprar a nova geração do produto. Em decorrência desses hábitos, milhares de toneladas de dejetos são produzidos diariamente, provocando inúmeros desafios ambientais e sócio econômicos.
Em decorrência da situação exposta, a má gestão do lixo gera consequências. No âmbito ambiental a contaminação do solo, a emissão de gases que agravam o efeito estufa - em principal o gás metano - e a proliferação de doenças entre a população que habita o entorno dos aterros são os principais problemas enfrentados. Além disso, a falta de planejamento para o descarte desperdiça potencialidades socioeconômicas, pois a logística reversa - que consiste no reaproveitamento de matéria-prima industrial - poderia ser aplicada para reduzir a produção do lixo. Em adição, o lixo pode ser uma grande ferramenta de produção energética, através do biogás e termelétricas de lixo.
Deve-se, pois, com o intuito de mitigar a problemática, implementar mudanças. Em primeiro plano, como medida a curto prazo, cabe ao Ministério da Educação, a criação de projetos pedagógicos nas escolas - envolvendo pais e alunos - com o objetivo de conscientiza-los à correta destinação do lixo e necessidade de redução do consumo de bens não essenciais, para formar, assim, consumidores mais conscientes. Ademais, a longo prazo, é dever do Governo Estadual, a construção de aterros sanitários capazes de tratar e destinar corretamente o lixo que não é capaz de ser reaproveitado. Somado a isso, o estímulo à logística reversa - através de incentivos fiscais às empresas - é de grande valia para aproveitar as potencialidades socioeconômicas dos dejetos. Dessa forma, será possível aprimorar a gestão do lixo no Brasil.