Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 13/07/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão a citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à má gestão de resíduos sólidos, visto que, 40% do lixo coletado não tem destinação adequada, conforme o levantamento divulgado em 2019 pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.
A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à questão da destinação apropriada dos rejeitos. De acordo com o prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, os lixões deveriam ter sido erradicados em 2014, porém, 60% dos municípios ainda descartam o lixo em aterros a céu aberto, sem nenhum controle sanitário. Assim, a lei sendo enfraquecida inviabiliza a efetividade das políticas públicas de saúde e meio ambiente.
Outro ponto relevante nessa temática é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o descarte adequado do lixo e seus impactos no meio ambiente, sua visão será limitada. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope, a maioria dos brasileiros sabe pouco ou nada sobre coleta seletiva, realidade preocupante que dificulta a prevenção e a redução da geração de lixo.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância do gerenciamento adequado de resíduos sólidos, bem como incentivar a adoção de práticas sustentáveis no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimentos não devem limitar-se aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.