Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 01/07/2020

Compreendidos como materiais não aproveitados, por isso, descartados, os resíduos são provenientes das ações humanas em sociedade, e seu gerenciamento é de suma importância, já que promove benefícios socioambientais à comunidade. Contudo, no Brasil, a gestão de resíduos não ocorre de modo eficiente, visto que, conforme dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abralepe), cerca de 41,74% dos detritos, no país, são eliminados em locais inadequados, como lixões a céu aberto. Dessa forma, compete ao governo brasileiro  investir em medidas que viabilizem uma gerência eficaz dos rejeitos.

Nesse contexto, destaca-se como gargalo ao gerenciamento de resíduos no Brasil, o consumo desenfreado, devido especialmente à sociedade atual, do consumo. Segundo o filósofo Baudrillard, esse corpo social da contemporaneidade se caracteriza por apresentar ações e relações humanas mediadas pelo aquisição de bens ou de serviços, sendo o indivíduo definido pelo o que consome. Assim, certas pessoas adquirem produtos em demasia, com o irrelevante intuito de manterem um “status” diante do grupo ao qual pertencem, não pensando, para tanto, nos possíveis prejuízos trazidos ao meio em que vivem. Ademais, outro fator que dificulta uma boa gestão dos rejeitos é a falta de políticas públicas nacionais que incentivem e expliquem o processo de reciclagem à empresas e aos cidadãos. De acordo com informações do portal de notícias “G1”, 30% do lixo gerado no Brasil poderia ser reaproveitado, entretanto, neste momento, apenas 3% desses detritos são reciclados no país.

Em consequência da infeliz administração brasileira dos resíduos tem-se, ainda, grande quantidade de rejeitos enviados para lixões a céu aberto, o que acarreta graves problemas socioambientais. Como nesses locais, o lixo é despejado diretamente no solo e sem tratamento, os cursos d’água e o terreno costumam ser contaminados pelo chorume (subproduto da decomposição dos rejeitos). Essa poluição inviabiliza o consumo do líquido vital e contribui para a perda do potencial agrícola da terra. Além disso, para a população há malefícios à saúde, visto que muitos insetos circulam entre as áreas de lixão e de domicílio, podendo trazer consigo cistos que causam doenças a humanos, sobretudo, gastrointestinais. Destarte, a sociedade é atingida no campo ambiental e social, posto que com a água e o solo infectados, indivíduos que tenham contato com esses meios podem manifestar certas patologias.

Portanto, visando uma melhoria na gestão dos resíduos no Brasil, cabe ao governo do país investir em medidas que estimulem a reciclagem. Isso ocorreria mediante constantes campanhas nos meios de comunicação de massa, especialmente TV e internet. Nessas ações, além da exposição dos benefícios socioambientais do reaproveitamento, devem haver ensinamentos de como fazê-lo.