Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 24/07/2020
No Egito Antigo, os indivíduos viviam em grande sintonia com a natureza, de tal forma, que até seus deuses tinham características de animais. Na contemporaneidade, cidadãos brasileiros têm modos de vida contrários àquela dos egípcios, destruindo, por vezes, seus recursos naturais mediante o descarte inadequado de bens capitalistas, o que traz debates acerca da gestão de resíduos. Dessa forma, o consumismo social e a inobservância estatal corroboram esse cenário estarrecedor.
Primeiramente, a aquisição desenfreada de produtos tornou-se um entrave. Na obra “O Mundo como Vontade e Representação”, de Arthur Schopenhauer, é narrada a ideia de o homem ser guiado por uma ânsia imensurável pelo prazer quase sempre momentâneo e que se não for controlado, pode lhe trazer embargos. Paralelamente, uma geração narcisista reproduz esse quadro, por meio de compras desnecessárias de utensílios industriais, como celulares em lançamentos, para que por via deles, essa fração da população exponha ou pelo menos tente demonstrar à sociedade que possui determinado poder econômico. Por conseguinte, muitos desses objetos são descartados em locais inadequados, contaminam lençóis freáticos e fomentam, ainda mais, a sobrecarga hospitalar, em virtude dos micro-organismos que contaminam essas águas. Assim, enquanto a população não mudar essa postura maléfica, a nação continuará a sofre com enfermidades similares aos efeitos de Arthur.
Segundamente, a negligência do governo impulsiona esse caos. Isso porque, segundo dados da empresa Dell, 90% dos computadores não passam por processos de reaproveitamento. A partir desse pressuposto, mesmo se um cidadão quiser realizar a correta reciclagem de um eletrodoméstico, ele sofrerá com a despreocupação das esferas políticas. Sem falar do baixo estímulo escolar que não propaga em seus alunos, muitas vezes, a correta reciclagem de rejeitos e muito menos ter respeito pela preservação do meio ambiente. A consequência disso é algumas famílias realizando combustão irregular de lixos, ou mesmo praias cheias de garrafas que afetam o turismo e a ascensão do país. Logo, se as próprias autoridades não promovem a sustentabilidade, fica difícil atingir a visão egípcia.
Destarte, é fulcral o estímulo a administração adequada dos resíduos sólidos. Nesse caso, urge que as secretarias municipais do meio ambiente, promovam campanhas em escolas acerca da importância de preservar a natureza, com anúncios nas aulas de biologia sobre o descarte correto de rejeitos, inserir folhetos para ensinar os significados das cores de cada lixeira, visando evitar que catadores cortem-se com vidros. Tal iniciativa deve buscar ajuda de empresas, a fim de investir em aterros sanitários municipais, contratar pessoas que vivem em lixões para trabalhar em reciclagem e auxílio profissional para promover sua integridade física. Nisso, ter-se-á uma população mais consciente.