Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 20/08/2020
Criada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determinava o fechamento de todos os lixões a céu aberto até o ano de 2014. No entanto, nota-se que essa resolução não foi cumprida, visto que, atualmente existem mais de três milhões de locais como esse em todo território nacional, nos quais há um descarte inadequado do lixo. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, haja vista que a gestão atual dos resíduos sólidos não só gera prejuízos ambientais como também desperdiça potencialidades socioeconômicas.
À priori, deve-se abordar que o meio ambiente é o mais afetado por essa problemática. De acordo com o mini documentário produzido pela National Geographic Portugal , Mar Estranho, que conta com a participação da bióloga estadunidense Sylvia Early, se a produção e o descarte de lixo continuarem no mesmo ritmo , em 2050 haverá mais plástico que peixes no oceano. Isso, além de trazer uma enorme perda para a biodiversidade mundial, afeta milhares de comunidades que tem como atividade econômica a pesca e intensifica a processo bioaculação dentro das cadeias alimentares, que a longo prazo pode gerar consequências a espécie humana.
Não obstante, vale ressaltar que com o descarte inadequado, o lixo perde seu potencial como negócio e como um instrumento de inclusão social. Nessa perspectiva, segundo o filósofo inglês John Locke, o homem deposita sua confiança no Estado , que por sua vez deve dar condições para que ele se desenvolva, formando o chamado Contrato Social. Assim, devido a uma ineficiência estatal em cumprir o que está previsto na PNRS, o lixo que poderia servir para a criação de cooperativas de coletas seletivas, reciclagem e reuso ,gerando renda e emprego a diversos indivíduos, acaba sendo desperdiçado e causando prejuízos ao meio ambiente e a saúde.
Portanto, a fim de se reduzir as consequências geradas pelo mau descarte do lixo e torná-lo um meio de inclusão social, é necessário que as secretárias municipais do meio ambiente juntamente com as ONGS,ampliem e consolidem cooperativas de coleta seletiva e reaproveitamento, por meio do oferecimento de cursos aos catadores, que lhes ensinem a desenvolver uma reciclagem mais profissional. Ademais, é fundamental que Estado, através de parcerias público privada, dê apoio orçamentário aos municípios para adequação às normas da PNRS. Assim , espera-se que a previsão feita pela bióloga Sylvia Early para 2050, não se torne realidade.