Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 11/09/2020

A Revolução Industrial, um dos maiores marcos do século XIX, proporcionou à humanidade produzir insumos de modo mais eficiente e em maior quantidade, todavia esse benefício veio acompanhado de um novo problema: o aumento do nível de lixo. Assim, os países deveriam apresentar métodos para gerir adequadamente esses resíduos, no entanto a situação brasileira é oposta ao posicionamento esperado. De fato, o despreocupação da população frente ao descarte e reciclagem de rejeitos, além do descaso governamental perante essa problemática, comprometem a situação do meio ambiente e das pessoas que dependem dele para sobreviver.

Mormente, o descaso da sociedade brasileira perante a atual situação do lixo no Brasil compromete uma boa gestão desses resíduos. Com efeito, essa realidade pode ser justificada pela má formação nas duas primeiras instâncias de socialização, que para o sociólogo francês Émile Durkheim, são a família e a escola. Assim, quando uma pessoa não receber instruções precisas dessas instituições sociais para que seja consciente com o meio ambiente e promova uma relação harmoniosa com esse fator, então, ela tenderá ao consumismo e ao descaso com o descarte de detritos. Dessa forma, com a não participação da população no processo de administração de substratos, sobrecarrega-se a atuação do Estado, que, muitas vezes, acaba por abdicar dessa função social.

Além disso, a despreocupação do governo brasileiro com a administração de rejeitos deve-se, principalmente, a dois fatores: essa problemática não atinge a “aristocracia” brasileira; com o descaso da população frente à situação, o governo não sente obrigação na resolução do problema. De fato, assim como acontecia na Idade Média, no Brasil, a classe rica não é atingida tal como a classe pobre pelos problemas da nação. Dessa forma, a situação do lixo brasileiro não é uma exceção, já que segundo dados do IBGE, as cidades mais afetadas pela problemática dos resíduos são as do interior, já que por ineficácia dos órgãos regionais, elas não apresentam planos para tratamento dos substratos. Ademais, a falta de participação política nas questões administrativas nacionais justifica a isenta participação governamental nesse impasse, pois, é sabido que desde a Grécia Antiga, quando a democracia era direta, o engajamento social é um alicerce para a resolução dos problemas.

É imperativo, portanto, que o Estado brasileiro, por meio de órgãos regionais como as Secretárias do Meio Ambiente, promovam o investimento na construção de centros de reciclagem e de aterros controlados, a fim de que o lixo das cidades brasileiras encaminhem-se para os locais de gestão correta de resíduos, tal ação pode ser feita por capacitação do público regional, para que trabalhem nesses centros, promovendo assim, uma gestão eficiente de substratos.