Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 26/09/2020
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada em 2010, determina que o fechamento de todos os lixões brasileiros à céu aberto deveria ocorrer até 2014. Diante disso, percebe-se que apesar de haver uma Lei que administra o destino dos lixos gerados, sua não efetivação contribui para uma crise na gestão brasileira de detritos, que desencadeia em graves prejuízos ambientais e no desperdício de potencialidades socioeconômicas.
Inicialmente, um entrave é a falta de planejamento, simultânea a um aumento na produção de despejos, que resultou na formação de enormes lixões. Tal alargamento intensificou-se, sobretudo após a Revolução Industrial, no século XVIII, em que houve uma explosão no número de fabricações e o início de uma sociedade voltada para o consumo. Nesse contexto da existência de grandes depósitos de lixos, agravou-se os impactos sobre o meio ambiente, como a contaminação do solo e de lençóis freáticos, causada pela liberação do chorume, e a intensificação do efeito estufa, pela liberação do gás metano. Tais fatores influenciam e comprometem diretamente o futuro da humanidade, o que demostra a necessidade da criação de projetos eficazes que busquem a resolução dessa instabilidade de comando.
Outro resultado do mal gerenciamento de resíduos é o impacto negativo na economia e na sociedade. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deixa de arrecadar 8 bilhões de reais por ano ao desperdiçar oportunidades com a reciclagem. Diante disso, percebe-se a importância do lixo para o desenvolvimento do país, visto que, se controlado corretamente, poderia propiciar a inclusão social com a geração de empregos e rendas em cooperativas de coleta seletiva e, além disso, ser usado para a geração de biogás nas termelétricas, que contribuiria com a Matriz Energética Nacional.
Portanto, para reduzir o número de dejetos jogados em terrenos ilícitos, cabe ao Estado estimular à logística reversa - retorno de parte do lixo à fabrica para o reaproveitamento - em determinadas empresas que confeccionam itens reutilizáveis, por meio da isenção fiscal, de maneira à diminuir a produção desses resquícios. Ademais, cabe as ONGs ampliar e consolidar as cooperativas de coleta seletiva e reciclagem, mediante à cursos e apoio jurídico e financeiro aos catadores de recicláveis, de modo à desenvolver um trabalho mais profissional, além de incluir socialmente esses indivíduos e à minimizar os impactos ambientais.