Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 24/09/2020

Na obra cinematográfica Wall-E, o futuro do planeta Terra é apresentado como um lugar totalmente inabitável aos seres humanos, onde o consumo exagerado de tudo resultou em um acumulo infinito de resíduos, que causou a destruição de toda biodiversidade do planeta Terra. Análogo a isso, o Brasil vive atualmente uma situação preocupante em relação ao descarte de resíduos, isso porque a atual gestão do lixo gera diversos prejuízos ambientais e desperdiça potencialidades socioeconômicas. Deste modo, fica evidente a necessidade de mudanças governamentais e sociais na reciclagem do lixo, garantindo assim, o futuro do planeta Terra.

Em primeiro plano, o aumento no número de lixo e o descarte irregular trazem diversos prejuízos ambientais, como por exemplo, a poluição dos rios. Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, mostrou que em 2019 o rio Tiete alcançou a marca de 166 km de trecho morto. Esse descarte irregular de resíduos pode causar diversas doenças nos indivíduos que habitam esses locais, gerando um maior aumento do gasto público na área da saúde. Além disso, o crescimento desenfreado do lixo causa a contaminação dos lençóis freáticos afetando a qualidade da água que consumimos e também as plantações devido ao solo contaminado.

Ademais, é preciso perceber que o prejuízo não é apenas ambiental, como também econômico. A Revolução Industrial trouxe com ela um a ideia de cada vez mais utilizarmos coisas novas, no entanto, muitas coisas que vão para o lixo após serem substituídas ainda tem serventia. Uma recente pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que o Brasil gera por dia 160 mil toneladas diárias de resíduos sólidos, 30% a 40% desse montante podem ser reaproveitados ou reciclados, porém, apenas 13% desses resíduos são encaminhados para a reciclagem. Esses números revelam que uma grande fonte de renda é desperdiçada, o que seria suficiente para manter várias famílias através de cooperativas de reciclagem.

Portanto, fica clara a indispensabilidade de mudanças na maneira de como o lixo é tratado no Brasil. A fim de reduzir os impactos socioambientais, é dever do Ministério do Meio Ambiente destinar verba o suficiente para que os municípios criem pontos adequados de descarte de resíduos. Além disso, parte dessa verba deveria ser destinada a criação de campanhas de conscientização da reciclagem, por meio de propagandas televisivas e das redes sociais. Outrossim, cabe ao setor privado junto aos empresários locais, poderiam fornecer créditos em redes de supermercados e postos de gasolina, por exemplo, a fim de estimular a reciclagem como um processo compensatório. Com essas medidas, talvez possa se evitar que o Brasil tenha o mesmo destino do planeta do filme Wall-E