Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 23/11/2020
No filme estadunidense “WALL-E”, estreado em 2008, a Terra é apresentada como inabitável pelos seres humanos, em razão da grande quantidade de lixo que encobre o planeta. Analogamente, insere-se na sociedade hodierna os desafios da gestão de resíduos no país fomentados por duas vertentes: o consumismo e a falta de investimento no setor.
A priori, infere-se que, com a consolidação do capitalismo pós Revolução Industrial no século XVIII, a sociedade se fundamentou no desenvolvimento econômico e social pautado pelo aumento do consumo. Nessa ótica, depreende-se que o indivíduo, estimulado pelo sistema capitalista, opta pela compra descomedida de bens de consumo - os quais normalmente são desnecessários - e, por conseguinte, é responsável pela grande produção de lixo. Dessarte, a quantia de resíduos produzidos aumenta e, consequentemente, é despejada em locais inapropriados.
Outrossim, salienta-se que a negligência para com investimentos em serviços de reciclagem e em coleta seletiva inviabiliza a sustentabilidade na gestão de descartes. Segundo o Instituto de Pesquisa e Ensino Avançado, somente 13% dos resíduos sólidos urbanos vão para reciclagem. Sob esse viés, compreende-se que o processo de reciclagem e de reaproveitamento do lixo na maior parte das cidades brasileiras é ineficiente ou nulo. Ainda que a população esteja ecologicamente conscientizada sobre a importância da reciclagem, o Estado não fornece programas elementares presentes em todas as cidades, o que condiciona o acúmulo exacerbado de lixo urbano. Em razão disso, o lixo é direcionado a aterros, responsáveis pela contaminação dos lençóis freáticos e do solo, o que prejudica o ecossistema.
Tendo em vista os dados expostos, conclui-se a necessidade de medidas para mitigar o consumismo e a ausência de programas sustentáveis de coleta. Isto posto, concerne ao Ministério do Meio Ambiente incentivar empresas engajadas na reciclagem de resíduos, por meio de campanhas publicitárias com profissionais da área - engenheiros ambientais e ecologistas - a fim de que mais programas de sustentabilidade sejam consolidados nas pequenas e grandes cidades. Dessa forma, os resíduos terão fim ecologicamente correto, o que contribuirá para o bem social e ambiental.