Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 23/12/2020
Sob a ótica do filósofo contemporâneo Jean Baudrillard, vive-se na atualidade a chamada “sociedade do consumo” caracterizada pelo fato de que todas as ações humanas são mediadas pela aquisição de bens, produtos ou serviços. A partir da década de 1930 no Brasil, há o aumento da industrialização e consequentemente desse consumo, fato que gera grandes volumes de lixo e se intensifica gradativamente até a atualidade. Contudo, a infraestrutura da gestão de resíduos brasileira é falha e se desdobra em diversos prejuízos como ambientais e à saúde pública.
Primeiramente, é válido ressaltar as causas desse cenário. A superprodução de lixo é consequência do consumismo exacerbado que, por sua vez, é impulsionado pelos meios de comunicação, fato característico do modelo de produção capitalista. Somado a isso, pode-se mencionar a obsolescência programada, uma estratégia usada por grandes empresas para estimular o consumo a partir da produção de bens com durabilidade menor, sendo inevitável sua troca após pouco tempo, gerando ainda mais lixo. Com tais fatores presentes na sociedade brasileira, seria racional acreditar na existência de políticas públicas eficientes que gerenciem os descartes no Brasil. Entretanto, a realidade é o oposto e como exemplo disso pode-se mencionar a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 que garantia o fechamento de todos os lixões a céu aberto até 2014, fato que ainda não se consolidou, evidenciando assim a insuficiência da gestão brasileira.
Em segundo plano, é pertinente pontuar as consequências causadas pela incompetência dos órgãos responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos no país. Entre os prejuízos ao meio ambiente destaca-se a contaminação dos solos e águas a partir da destinação inadequada dos dejetos, afetando de modo crítico as fauna e a flora dos mais variados ecossistemas, somado à emissão de metano, um dos gases estufa impulsionador do aquecimento global. Além disso, há prejuízo à saúde pública, visto que a presença de dejetos em lixões a céu aberto estimula a proliferação de vetores de doenças como cólera e dengue em populações locais, deixando claro dessa forma, a magnitude do problema.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que alterem o quadro atual. A escola, a partir de projetos pedagógicos nas instituições de ensino básico, deve atuar na formação de consumidores mais conscientes de forma a minimizar o grande volume de lixo gerado pelo superconsumo. Somado à isso, afim de criar uma infraestrutura adequada nos municípios, é necessário que o Ministério Das Cidades em parceria com os estados e municípios criem aterros sanitários compartilhados por meio da divisão dos custos envolvidos nessa iniciativa possibilitando, assim, o descarte correto dos resíduos. Com essas medidas iniciais, a sociedade se tornará gradativamente mais consciente e o meio ambiente mais limpo.