Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 15/01/2021

No documentário “Lixo Extraordinário”, de Vik Muniz, é retatada a realidade dos catadores de material reciclável em um lixão à céu aberto - cenário recorrente no país, e que aponta para os desafios da gestão de resíduos sólidos na sociedade brasileira. Fora das telas, essa gestão apresenta falhas estruturais, tais quais a falta de um planejamento de metas eficazes, a nível municipal, e o baixo investimento estatal em subsídios para as empresas de coleta. Sendo assim, ações devem ser tomadas para reverter essa situação.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar que só com organização e integração entre os agentes públicos, é possível enfrentar a questão do descarte inadequado no país. Nesse sentido, o Governo criou a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, que tem como objetivo principal o estabelecimento de diretrizes para a redução e o tratamento adequado desses materiais. Contudo, o que se percebe é uma grande falta de comunicação entre as eferas federias e municipais, levando a um cenário de desorganização e carência de planejamento local. Logo, para enfrentar essa questão, estados e municípios devem articular ideias e soluções, personalizando cada meta de acordo com a realidade do local.

Outrossim, vale destacar que o baixo auxílio financeiro às empresas de coleta leva a um desamparo tanto do setor de reciclagem, quanto dos próprios catadores. Por esse viés de abandono estatal, o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, conta sobre as dificuladades que a própria autora teve em sua vida de catadora de papel - muito trabalho para receber quantias insuficientes de dinheiro. Além de o material reciclável render pouco para quem o coleta, as empresas não têm incentivos fiscais que as auxiliem a continuar nesse mercado, tornando toda a cadeia improdutiva e, por vezes, insustentável. Portanto, é papel do Estado investir na indústria de reciclagem, reduzindo o desamparo do setor.

Em suma, medidas são necessárias para combater as dificuldade da gestão dos resíduos sólidos no país. Para tanto, os Ministérios da Cidade e do Meio Ambiente deverão se unir para destinar verbas aos municípios, de modo que eles possam investir esse dinheiro na construção de novos centros de tratamento, bem como no auxílio financeiro àqueles que já existem. Dessa forma, por meio da ajuda financeira, as cidades poderão realizar um planejamentos local - de acordo com suas respectivas realidades - tornando a gestão desses materiais mais dinâmica e eficiente.