Gestão de resíduos na sociedade brasileira
Enviada em 14/08/2021
Em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi instituída com princípios básicos pautados no gerenciamento dos setores públicos e privados no que se diz a produção e coleta de lixo, além de reconhecer o resíduo sólido como bem socioeconômico, gerador de trabalho e renda e promotor da cidadania. Apesar do seu sancionamento, o Brasil não cumpriu o conjunto de ações governamentais propostas pela PNRS, aumentando o volume de lixo produzido em 12,4 milhões de toneladas em 2020 se comparado ao ano de 2010. Por isso, é necessário compreender como a atual gestão de resíduos sólidos no país gera prejuízos ambientais e desperdiça o potencial econômico e social desse manejo.
Primordialmente, a organização danosa do lixo no Brasil, seja na fabricação ou arrecadação, é o agente preeminente da deterioração ambiental do país. Nos locais que abrigam esses resíduos, tanto os lixões quanto os aterros sanitários, há irregularidades que têm contribuído para a contaminação ecossistêmica, como, por exemplo, os fluídos orgânicos resultantes do chorume dos resíduos sólidos descartados, ao penetrar o solo, danifica-o até os lençóis freáticos. Dessa maneira, a gestão do insalubre do lixo afeta diretamente o potencial agrícola e hídrico do território brasileiro, implicando na saúde pública dos consumidores.
Ademais, os resíduos sólidos como negócio vêm sendo desperdiçados, acometendo o processo de inclusão social dos profissionais da coleta e processamento do lixo que atuam em péssimas condições ao serem expostos a doenças e baixos salários. Além de comprometer a geração de renda e emprego, a inviabilização dessa profissão está diretamente relacionada com os baixos índices de reciclagem de resíduos sólidos que, de acordo com a CNN Brasil, não passam de 2,1%, fazendo com que o país deixe de ganhar 14 bilhões de reais pela ausência desse processo. Por isso, não dar o reconhecimento e condições necessárias para manter os profissionais de coleta e reciclagem lixo é comprometer a saúde econômica do país.
Portanto, a fim de garantir o gerenciamento sustentável e socioeconômico dos resíduos sólidos no Brasil, as prefeituras municipais devem, mediante o redirecionamento de verbas, abrir postos de coleta seletiva de lixo em cada bairro das cidades brasileiras, com a contratação e treinamento de trabalhadores que moram na região, tendo como meta a abertura de um estabelecimento em cada município por mês. Além disso, é imprescindível que o Ministério do Meio Ambiente elabore projetos de recuperação e tratamento ambiental dos locais que abrigam lixões, reduzindo o impacto prejudicial à natureza e prevenindo a saúde da população que vive no entorno.