Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 28/08/2021

A animação americana “Wall-e” retrata um futuro em que a Terra se torna inabitável para o homem. Na trama, um robô é encarregado de retirar o lixo deixado pelos humanos, para que estes possam retornar ao planeta. De modo lastimável, apesar da pessimista previsão da obra, o Estado brasileiro se mantém negligente no que tange a gestão dos resíduos, visto a alta produção de lixo no país. Nesse contexto, problemas ambientais e sociais são fomentados pelo descaso governamental.

Convém ressaltar, a príncipio, a inércia estatal perante o excesso de resíduos produzidos pela indústria nacional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo do mundo, entretanto, sua produção industrial é a décima sexta na participação mundial, segundo a Confederação Nacional da Indústria. Essa realidade desequilibrada é consequência da indiferença governamental, que não incentiva a logística reversa, isto é, o reaproveitamento de matérias-primas, e a reciclagem.

Outrossim, vale salientar o desgaste ambiental e os perigos sociais causados pela má gestão de resíduos. Segundo a Constituição federal de 1988, é dever do Estado garantir a qualidade de vida, controlando a exploração da natureza e preservando-a, porém a maior parte do lixo brasileiro não é descartado corretamente. Isso porque o destino desses resíduos são os lixões, que poluem os lençóis freáticos com o chorume e atraem vetores de enfermidades. Dessa forma, enquanto a negligência do governo se mantiver, a sociedade sofrerá não só com a degradação ambiental, mas também com as doenças negligenciadas, aquelas que são endêmicas em população de baixa renda.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para modificar a atual gestão de resíduos no país. Dessa forma, para diminuir a produção de lixo e melhorar o seu descarte, urge que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de parcerias com os governos municipais, crie um projeto de controle de resíduos. Em síntese, o governo deve criar incentivos fiscais para as indústrias que aderirem à logística reversa. Além disso, o projeto deve incluir a construção de aterros sanitários em pelo menos 60% dos municípios. Feito isso, será possível tornar a realidade de “Wall-e” um futuro cada vez mais distante.