Gestão de resíduos na sociedade brasileira

Enviada em 16/10/2021

Em países subdesenvolvidos, como Chile e Argentina, a gestão de resíduos sólidos recebe o investimento e a importância apropriada. No Brasil, entretanto, segundo o jornal BBC, apenas 3% do lixo produzido é tratado de forma correta. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à passividade do corpo civil, mas tembém em razão de políticas públicas ineficazes.

Nesse sentido, é válido destacar o alheamento dos brasileiros em exigir a gestão adequada do lixo, a fim de preservar o bem-estar ambiental e social. Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, o Brasil só perde para Cuba na lista de países da América Latina que mais pagam impostos. Essa carga tributária é, em geral, cobrada com o objetivo de melhorar a infraestrutura do país e, assim, proporcionar o bem-estar social. No entanto, infelizmente, enquanto o cidadão cumpre seu papel social ao pagar suas taxas, o Estado brasileiro nega aos indivíduos os retornos devidos aos impostos custeados. Dessa maneira, observa-se que a omissão do corpo civil em pressionar o governo acerca do tratamento do lixo contribui para a permanência das baixas taxas da gestão de resíduos sólidos atuais.

Além disso, é imprescindível salientar a ausência políticas públicas eficazes para a gerência de lixo no país. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar a saúde social e ambiental da nação. À vista disso, nota-se que o alheamento público em fornecer mecanismos adequados à gestão de resíduos sólidos, como o investimento em coleta seletiva, caracteriza o Estado como pouco moral às necessidades da sociedade, conforme às ideias de Bonhoeffer. Dessa forma, os cidadãos são diariamente negligenciados pelos órgãos públicos que persistem em manter a nação sem o tratamento de lixo produzido.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao corpo civil, detentor do poder de pressionar os órgãos públicos, por meio de protestos pacíficos, exigir ao Estado a gestão de resíduos sólidos em todo o território, a fim de tornar o tratamento de lixo realidade e, assim, preservar a saúde ambiental e social. Paralelamente, cabe ao governo federal, por intermédio de impostos, dispor de coletas seletivas e de campanhas educativas em TV aberta que abranjam todos os municípios, com o objetivo de democratizar o tratamento de resíduos e de conscientizar a população de sua importância. Assim, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.