Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 15/04/2019

Na obra “O Príncipe”, o absolutista Maquiavel expõe, por meio de uma série de instruções e ensinamentos, como um verdadeiro chefe de estado deve se portar para manter a ordem, honestidade e transparência da nação. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço da tecnologia e dos direitos humanos, o Brasil ainda é uma vítima da gestão pública ineficiente. Essa cruel realidade se faz presente graças à omissão do poder público quanto aos investimentos necessários dentro da sociedade, além da corrupção que assola o governo do país.

De início, pode-se lembrar que a gestão pública ineficaz no Brasil não é uma invenção do século XXI; durante o Segundo Reinado brasileiro o imperador D. Pedro II agiu com extremo descaso quanto às políticas públicas para as massas, contribuindo para o afastamento da classe proletária da esfera econômica nacional. É fato que a principal razão para a falta de investimento em políticas públicas de qualidade no Brasil contemporâneo é a corrupção. Tem-se como exemplo a operação Ave de Rapina que ocorreu no estado de Santa Catarina no ano de 2014. Segundo o jornal O Globo, 26 políticos envolvidos em esquemas de corrupção e fraude nos cofres públicos foram indiciados. Esse dado alarmante expõe o quanto as riquezas nacionais são utilizadas de forma suja e errônea.

Sabe-se que a Constituição cidadã de 1988 garante pleno acesso à políticas públicas de qualidade, como educação, saúde e segurança a todos os presentes em território nacional, em contraste, o governo age com imensurável descaso, mantendo um sistema extremamente corrupto que deixa a população, em especial a classe trabalhadora, às margens da sociedade, sem acesso às esferas educacional e econômica. Dessa forma, obtém-se um país submerso numa nociva realidade de miséria e desigualdade. Segundo o sociólogo Émile Durkheim “O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido”, sob esse viés, pode-se concluir que o Brasil só atingirá um estado pleno de transparência governamental, resultante em políticas públicas eficientes quando o seu povo se conscientizar de que os governantes têm como obrigação manter a ordem e qualidade de vida da sociedade, de forma honesta e consciente.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério da Justiça junto à Polícia Federal, deve aumentar o número e a qualidade das investigações acerca dos esquemas de corrupção entre políticos. Essa ação deve se dar por meio de uma política de transparência nos cofres e transações públicas. É imprescindível também que o Ministério da Educação promova palestras nas escolas e universidades públicas, em prol de expôr as obrigações dos governantes para com a comunidade, somente dessa maneira será possível obter uma sociedade plural e igualitária.