Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 17/04/2019

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um ‘‘corpo biológico’’ por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Nesse contexto, para que esse organismo funcione de modo igualitário e coeso, é fundamental a garantia do funcionamento pleno dos setores administrativos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois a má gestão pública no país é uma realidade constante e abala até mesmo a democracia. Dessa maneira, rever a situação a qual a nação está inserida é fundamental para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.

Primeiramente, a ineficiente gestão brasileira não é um problema atual. Desde o início da colonização à atualidade, os gestores sempre agiram em prol de seus próprios interesses, aniquilando a manutenção do estado social de direitos sociais. Além disso, a ineficiência também se encontra na falta de inovações e transparência na área gestora, devido, entre outros fatores, à forte hierarquização dos órgãos públicos, que impedem a disponibilização e a troca de ideias e habilidades para criação de algo novo e beneficente que seja posto em prática na comunidade. Ademais, há a concepção de que política é papel exclusivo de políticos e que o Estado é o único responsável pelos problemas públicos, pelo contrário, as decisões para o melhor desenvolvimento da sociedade deveriam ser interesse de todos e, lamentavelmente, não são.                                                                                                                    Em segundo plano, não há um efetivo controle com os gastos operacionais, nem cautela com recursos e possíveis impactos que podem ser encontrados socialmente, economicamente e ambientalmente. Desse modo, o mal gerenciamento e a falta de transparência abrem espaço para esquemas de corrupção que pioram ainda mais a situação do país, principalmente momentos de crise, como a vivenciada pelo Brasil. Nesse viés, nem o Estado, nem os indivíduos envolvidos abdicam de sua liberdade para o bom funcionamento da coletividade, como proposto por Thomas Hobbes no Contrato Social.                                                                                                                                                  É evidente, portanto, que ainda há entraves na solidificação de medidas a fim de diminuir essa inercial problemática. Diante dessa realidade, é preciso que o Estado e instituições responsáveis por cada setor social se dediquem e sejam capacitados para um boa, organizada e transparente gestão pública, a fim de prever e conter da melhor forma eventuais impactos que poderão surgir. Além disso, o governo deve abrir mais espaço para que o cidadão tenha mais participação e ‘‘feedback" para suas propostas e reivindicações e para que isso seja facilitado, investir nas tecnologias de informação. Certamente, diante desse esforço conjunto, não haverá barreiras capazes de impedir a minimização do impasse.