Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 18/04/2019

Na obra O Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien, o mago Gandalf acusa seu companheiro Saruman de "

querer apenas governar e nunca servir" e que essa é a causa de muitos dos problemas dos mocinhos na obra, uma vez que aquele a quem é dado poder possui maior responsabilidade de se curvar diante do próximo que qualquer outro. Na Hodiernidade, tal filosofia permite uma análise acerca das questões consequentes do mau gerenciamento, seja por falta de preparo, seja por caráter deficiente.

A priori, é válido ressaltar a maneira pela qual pessoas com tão pouca noção de administração alcançam altos cargos de gestão com certa regularidade. A história humana e as relações sociais ensinam que o carisma precede a formação, isto é, a boa aparência, o riso e a eloquência cativam e impressionam mais, em um primeiro momento, que um doutorado, por exemplo. O crescimento de figuras carismáticas que se identificam com a demanda social evidencia que o povo de uma nação tem mais força que seus líderes, podendo causar até mesmo uma revolução para colocar no topo alguém que estava no mais baixo degrau da sociedade. É esse sentimento de estar em dívida com as palavras de encorajamento de terceiros aliado, em geral, à baixa escolarização de muitos que faz com que pessoas sem preparo, ou que antes ajudaram, mas agora são passivos, permaneçam com o apoio necessário para ficar no comando.

Segundo o célebre pensador francês Michel Foucault, a arqueologia e a genealogia são mecanismos que auxiliam na compreensão do presente, onde aquele efetua uma escavação no passado e verifica a origem de ideias que estão na gênese de uma população e esse explica de que maneira são passadas às gerações seguintes. Ora, não e novidade que a corrupção é um fator histórico no Brasil, uma vez que as caravelas portuguesas traziam, além de conquistadores, ladrões e outras classes de pessoas indesejadas em Portugal, no período colonial. Com um baixíssimo estímulo à mudança por meio de políticas públicas eficazes e sob o pretexto de que “nada de ruim acontecerá”, não é de se surpreender que a imoralidade se estende até a contemporaneidade, inclusive em posições de maior notabilidade.

Portanto, convém adotar medidas de intervenção. Uma ampla parceria entre o Ministério de Educação e Cultura (MEC) e as redes de ensino fundamental e médio públicos de todo o país, no que significaria inicialmente investimentos massivos e cautelosos daquele para com este, e a posterior fundação de iniciativas mais inclusivas e abrangentes de ensino, cumprindo a meta de que pelo menos 80 % dos habitantes do Brasil tenham o segundo grau completo em até 50 anos, além de um maior estímulo da família, por meio de diálogos interativos com os filhos desde os primeiros anos de vida, para extinguir neles qualquer resquício de mau-caráter, contribuiriam como soluções a médio e a longo prazo.