Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 19/04/2019

A gestão pública, como um dos instrumentos para o exercício da cidadania, deveria estar pautada na busca por direitos e pelo bem-estar coletivo. No entanto, a imposição de padrões educacionais inflexíveis e a obsessão pela cultura de privilégios e transgressões limitam o gerenciamento dos setores públicos. Esse processo é reforçado pelo modo como o ensino é conduzido no Brasil e pela falta de ação efetiva do governo.

Em primeiro lugar, a cultura de privilégios é fortalecida pelo ensino. Esse, funcionando como um sistema de seleção empresarial, é responsável por tornar o processo educativo mecanizado e afastar-se da responsabilidade de formar indivíduos éticos. Consequência direta dessa inversão do papel educacional são cidadãos individualistas que, quando em cargos nacionalmente importantes, agem de modo a favorecer apenas os seus interesses, basta ver a corrupção entre os gestores públicos. Assim, essa contraversão pedagógica opõe-se ao pensamento do educador Paulo Freire, que acreditava na educação como principal formadora de indivíduos éticos e transformadores da realidade coletiva.

A posteriori, o governo, que deveria ser o principal mediador para se atingir o bem-estar coletivo, tem se mostrado ineficiente tanto em assegurar os direitos previstos na Constituição quanto em gerir o dinheiro público. Isso se deve, sobretudo, à perpetuação da cultura de transgressões, uma vez que ela nos leva aos escândalos de corrupção e à escolha de ministros e secretários visando o benefício próprio. Assim, a esfera do discurso não é ultrapassada e os políticos continuam governando em prol de uma pequena parcela da sociedade, marginalizando, por exemplo, pobres, mulheres, negros e LGBTs . Por isso, tem razão Gilberto Dimenstein ao afirmar que a Constituição prevê muitos direitos, mas nem todos são assegurados, a exemplo dos direitos fundamentais (saúde, educação e segurança) que não são efetivados devido à má gestão pública.

Portanto, a fim de tornar sanar os problemas com administração pública, faz-se necessário que o MEC, órgão responsável pelo planejamento escolar, promova, por meio da pedagogia da sensibilidade, uma educação transformadora, que possibilite a formação de cidadãos éticos e também de futuros gestores públicos preocupados com a coletividade. Ademais, o governo deve, por intermédio de uma cultura inovadora, fiscalizar e combater as práticas corruptas, bem como escolher, de forma eficiente, os responsáveis por gerenciar os âmbitos públicos, possibilitando a melhoria do serviço público. Assim, poderia haver a asseguração dos direitos de todos e o pleno exercício da cidadania.