Gestão Pública em questão no Brasil
Enviada em 22/04/2019
O famoso jeitinho brasileiro é marcado pela capacidade de reverter situações por meio de estratégias criativas e que fogem da burocracia e da legalidade. Desse modo, essa característica pode ser observada nas gestões públicas que administram o Brasil, uma vez que é constantemente noticiados casos de corrupção e desfeitos. Portanto, é necessário reverter essa problemática que possui raízes históricas e ideológicas.
Em primeiro lugar, é importante notar a concepção patrimonialista da gestão pública que é moldada no decorrer da história brasileira. Isso porque desde o período colonial com as capitanias hereditárias a administração é mantida pelos grupos dominantes, dessa forma, se confunde o público com o privado, com isso, as instancias governamentais passam a ser vistas como um patrimônio pessoal e utilizadas para atender os anseios e manter os privilégios dessa elite. Essa realidade resulta no descaso do próprio Estado com a população, principalmente com a mais pobre, visto que as demandas dessa parcela da sociedade é deixada em segundo plano. Prova disso é a alta no número de brasileiros que passam fome, segundo dados do ano de 2017 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), frente ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nesse mesmo ano.
Além disso, a corrupção no Brasil passou a ser normatizada e, consequentemente, passou a ocupar lugar no cotidiano das pessoas, o que reflete nas gestões tanto de cunho administrativo como de cunho executivo e legislativo. Assim, atos tidos como pequenas infrações ou, muitas das vezes, relevados são característicos da rotina dos setores administrativos. Isso contribui e perpetua a visão que muitos tem das instituições brasileiras: ‘órgãos que não funcionam’, ‘centros muito burocráticos’, ‘funcionários que não trabalham’, ‘políticos que não prestam’, entre outros. No entanto, esse é apenas um retrato de uma sociedade que compactua, desde os seus primórdios, com a utilização de qualquer meio, independente de sua natureza legal, para se obter vantagem nas mais diversas esferas sociais.
Portanto, fica evidente que as gestões públicas no Brasil representam uma esfera marcada por adversidades e pela corrupção. Na tentativa de amenizar essa situação cabe as escolas, como instituição formadora de cidadãos, promover nas aulas de sociologia atividades que desenvolvam a capacidade de reflexão sobre como atos corruptos são corriqueiros e que devem ser evitados, de modo a garantir futuros adultos que não compactuam com tais atos. Ademais, é importante o papel do poder legislativo em criar leis que incentivem o papel das polícias civil e federal nas investigações contra crimes administrativos no intuito de coibir e prevenir crimes dessa natureza. Pois , é a partir desse caminho que o brasileiro não será lembrado e conhecido pelo seu “jeitinho”.