Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 21/04/2019

A gestão pública, no Brasil, é um enorme desafio, em razão de sua vasta dimensão, desde seu descobrimento, no século XVI, com o fracasso das capitanias hereditárias até os dias hodiernos. Dessa forma,  as dificuldades enfrentadas para a gestão de toda a federação tornou-se mais intensas, devido a crescente atos de corrupção, os quais desencadeiam um ciclo interminável de mazelas sociais. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à ineficiência do Estado e à má formação da sociedade, perante os eventos de desvio de conduta dos governantes.

A priori, consoante o filósofo Aristóteles, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Assim, a crescente corrupção do Estado, mediante desvios de verbas e ações de benefícios próprios, acarreta uma falta de investimentos e infraestrutura em setores básicos para a sociedade, como educação e saúde. Desse modo, a ausência de recursos federais, ocasionam uma grave dificuldade na gestão das unidades federativas, as quais sofrem com a precariedade dos setores públicos, pois elas são dependentes de fundos advindos do Governo Federal. Por consequência, a corrupção instaurada no núcleo do Estado e o descaso de seus governantes atormentam todos os cidadãos, os quais sofrem sem um suporte digno.

Outrossim, conforme a antropóloga Ruth Benedict, “A cultura é janela pela qual o homem enxerga o mundo”. Dessa maneira, é a cultura a responsável pela transmissão de valores entre as gerações de uma sociedade, as quais herdam esses costumes e os assimilam ao seu modo de viver e se relacionarem com as pessoas. Isto posto, é sabida entre a sociedade a fama do “Jeitinho brasileiro”, o qual tornou-se um aspecto cultural do brasileiro de encontrar modos mais fáceis de resolver problemas, os quais, muitas vezes, são de maneiras ilícitas, como a prática de venda e compra de voto,a qual prejudica toda a sociedade a longo prazo. Portanto, os desvios de condutas dos governantes acabam por ser um reflexo da conduta da própria sociedade.

Por conseguinte, para que o Estado torne-se um colaborador no cotidiano das pessoas e a sociedade torne-se consciente de suas ações, são necessárias mudanças estruturais. Com isso, assiste à Câmara de Deputados, por meio de projetos de leis, a criação de diretrizes, as quais busquem reduzir o poder e a influência do Estado sob Ministérios e empresas e limite o gasto de dinheiro público, a fim de que haja uma redução no monopólio do poder. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de diretrizes educacionais, a criação de projetos e palestras interdisciplinares, as quais visem explicitar aos jovens a importância de hábitos honestos e as mazelas causadas a sociedade pela desonestidade, para que haja uma geração futura cônscia.