Gestão Pública em questão no Brasil

Enviada em 21/08/2019

A partir de 1985, com a redemocratização do Brasil, os governantes eleitos e os funcionários públicos assumiram o compromisso de administrar o país de forma eficiente, funcional e conforme os interesses da coletividade, como pressuposto pelo sistema de democracia estabelecido. Todavia, não é isso que se observa na prática da gestão pública brasileira, na qual a eleição de dirigentes descapacitados e a corrupção se tornaram banais, configurando, portanto, os principais obstáculos para o desenvolvimento nacional.

A priori, é válido ressaltar que a deturpação dos valores na política influencia diretamente o progresso da nação. Segundo o IBGE, o Brasil é a oitava maior economia do mundo, porém, o padrão de vida aqui vigente ainda é considerado baixo, comparado aos países com potenciais econômicos semelhantes. Tal situação comprova que, apesar da abundância de recursos, a gestão governamental corrupta e inapta impede o avanço de toda a comunidade.

Nesse contexto, merece destaque a teoria do bom selvagem de Rousseau. De acordo com ele, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Nesse sentido, todos nascem desprovidos de desonestidade, mas o meio social difunde a corrupção entre as pessoas no cotidiano, embasado na cultura desleal do “jeitinho brasileiro”. Logo, a desvirtuação no cenário político tem origem nessa propagação dos costumes antiéticos que ocorre no dia-a-dia e, por conseguinte, deve ser erradicada nos primeiros estágios de formação do indivíduo.

Ainda é importante mencionar a falta de participação política do cidadão tupiniquim. Esse, além de não votar de modo consciente, analisando o histórico e as propostas dos candidatos, não acompanha os mandatos e não reivindica seus direitos. Como resultado, ocorre a eleição de gestores despreparados, que não representam o coletivo e, muito menos, governam conforme a vontade geral, o que ratifica o caráter prejudicial da negligência dos eleitores.

Diante do exposto, para que a administração pública se torne idônea, é fulcral que o Ministério da Justiça adote medidas funcionais no combate à corrupção, através da criação de um órgão independente investigador, fiscalizador e punitivo para agilizar os processos de crimes públicos. Ademais, as escolas, universidades e a mídia devem promover o estudo da ética, a educação política e campanhas conscientizadoras. Somente assim, o país alcançará o pleno desenvolvimento proporcionado pela democracia.