Gestão Pública em questão no Brasil
Enviada em 04/11/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles” Essa sentença da filósofa Simone de Beauvoir pode ser relacionada à questão da má gestão dos recursos públicos no Brasil, pois pior que os inúmeros casos de ineficazes usos das verbas é a naturalização desse nefasto quadro. Assim, para mitigar essa problemática, é preciso analisar como a falta de planejamento da administração dos bens do país gera consequências no aumento das desigualdades sociais.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar a falta de uma organização de princípios justos alimenta a deficiente gestão dos gastos públicos. Esse cenário assemelha-se à crônica “País rico” do escritor Lima Barreto, que discute sobre uma nação que embora rica, não subsidia a educação e a saúde, ao alegar estar sem verba, mas gasta em futilidades. Fora da ficção, essa situação também ocorre no Brasil, onde muitos investimentos não são realizados devido às justificativas de crises econômicas e à necessidade de corte os gastos. No entanto, tais cortes são pautados em interesses individuais, haja vista que os recursos passam a ser utilizados em vaidades de exibicionismos, principalmente nos anos de olimpíadas. Dessa forma, é notório como as desculpas que encobrem benefícios próprios mantêm o cenário de ineficaz uso das verbas.
Além disso, é importante observar como esses comportamentos egoístas geram efeitos no aumento da desigualdade social no país. Esse contexto deve-se ao enfraquecimento dos serviços estatais que não são capazes de possibilitar o atendimento aos direitos básicos da classe dos mais pobres, os quais não possuem o poder aquisitivo suficiente para pagar pelos atendimentos nos setores privados. Esse pensamento aproxima-se ao do político Konrad Adeneaur, para quem “Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte”, pois embora todos sejam brasileiros, não são todos que possuem a possibilidade de receber o cumprimento de seus direitos básicos. Desse modo, essa má gestão fortalece a marginalização e vulnerabilidade das populações mais carentes.
Infere-se, portanto, que os problemas da deficitária administração dos recursos do Brasil estão relacionados à displicência estatal que provoca consequências no agravamento das diferenças sociais. Destarte, para reverter esse impasse, o Governo legislativo, órgão responsável pela elaboração das leis que orientam o funcionamento justo do país, deve elaborar uma legislação que especifique o percentual mínimo a ser investido em cada setor, por meio de uma pesquisa que avalie o custo anual para a manutenção das diferentes áreas de atendimento ao público gratuitamente. Então, essa ação deve ser feita a fim de que todos os cidadãos usufruam do exercício de suas cidadanias ao receber assistência governamental sem sofrer com as escolhas individualistas de muitos políticos.