Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Durante o período Helenístico, diversas escolas filosóficas começaram a surgir, dentre as quais estava o Epicuturismo: corrente de pensadores que acreditavam no prazer comedido como forma de alcançar a paz de espírito. Entretando, quando se observa o atual panorâma de gravidez na adolescência, verifica-se que os ideais epicuturistas foram deturpados e o hedonísmo torna-se cada vez mais presente no Brasil. Desse modo, a problemática persiste, seja pela ausência de uma educação sexual, seja pela negligênciação do impasse pelos mais jovens.
É importante notar, a princípio, que a falta de debate acerca da sexualidade na adolescência é um fator preponderante para a manutenção do problema. Nesse sentido, a quase inexistência de um processo de educação sexual, tanto na escola como nas reuniões familiares, corrobora para o mal esclarecimento de dúvidas a respeito das forma de prevenção e das consequência advindas da criação de um filho. Dessa forma, o atual cenário brasileiro vai em contrapartida ao proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, a qual acredita que a família e o sistema escolar são fatores fundamentais no processo de socialização infanto-juvenil. Sob essa ótica, fica claro o porquê de, segundo a OMS, o Brasil estar à 22,4 pontos acima da média nacional de grávidas entre 15 e 19 anos.
Ademais, é necessário compreender, ainda, que a negligência de uma possível gravidez, por entre os jovens, também ajuda a explicar a situação cujo país vive. Assim, ao valorizar práticas hedonísticas, a faixa etária em questão prioriza o momento em detrimento das diversas consequências futuras que seu ato pode resultar. Nesse aspecto, a filósofa Hannah Arendt crê que a sociedade banaliza o mal e consecutivamente é responsável por perpetua-lo, de modo que a gravidez na adolescência continua sendo a causa para a evasão escolar de diversas meninas, perca da juventude, entrada em trabalhos informais, e, alarmantemente, motivo para a morte da jovem durante o parto.
Torna-se evidente, portanto, que medidas enérgicas devem ser aplicadas a fim de diminuir a taxa de grávidas na juventude. Sob esse aspecto, cabe ao Ministério da Educação o papel de desenvolver um programa educacional que aborde a sexualidade nas escolas a partir de debates ministratos por profissionais da área e cartilhas com o fito de debater não só as forma de prevenção contra a gravidez, como também abordar as consequências de ter um bebê nessa faixa etária. Similarmente, a Mídia deve promover propagandas e novelas de alto engajamento social que abordem a gravidez entre meninas na fase juvenil e seus desdobramentos, de modo à suscitar um debate entre as famílias. Somente assim, a longo prazo, o prazer moderado pregado pelos Epicuturistas serão, finalmente, respeitados.