Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/05/2018
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 7,3 milhões de adolescentes se tornam mães a cada ano ao redor do mundo, das quais 2 milhões são menores de 15 anos. De acordo com o Ministério de Saúde, 70% dos casos de gravidez, no Brasil, são indesejados. Nesse contexto, deve-se analisar como a omissão familiar e a vulnerabilidade social contribui para a problemática em questão.
É relevante abordar, primeiramente, que a ausência dos pais na educação sexual dos filhos, resulta na falta de diálogos importantes. Isso ocorre, posto que, na sociedade hipercapitalista que vivemos, o desejo pela obtenção de lucros se tornou algo insaciável, e isso faz com que muitos pais precisem ficar mais tempo no ambiente de trabalho do que educando os filhos. Além disso, muitos ainda enxergam o sexo como um tabu e não autorizam, inclusive, que esse assunto seja abordado nas escolas. Não é à toa, então, que, segundo uma pesquisa realizada pelo jornal Rede Minas, apenas 3 em cada 10 adolescentes já tiveram uma conversa sobre sexualidade com os pais.
Paralelo a isso, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mais de 70% das adolescentes que tem filhos abandonam a escola. Isto posto, é primordial ressaltar que indivíduos com árduo contexto socioeconômico apresentam, muitas vezes, baixa escolaridade e falta de planejamento familiar, e com isso ocorre o aumento de evasão escolar e manutenção do ciclo da pobreza, já que para conseguir boas ocupações no mercado de trabalho é essencial possuir um bom grau de instrução. Dessa forma, é notório que os adolescentes dessa classe menos favorecida não possuem acesso a informação e desconhecem dos riscos e métodos contraceptivos existentes.
Destarte, torna-se evidente, que a gravidez precoce deve ser analisada e contida. Diante disso, cabe ao Ministério de Educação, em parceria com as escolas, e com a colaboração de psicólogos e sexólogos, promover palestras que direcionem os pais em como dialogar sobre sexualidade com seus filhos, e também mostre a forma correta de usar os métodos preventivos. Ademais, o Ministério da Saúde juntamente ao Governo do Estado deve investir na realização de campanhas publicitárias de educação sexual em municípios carentes. Por conseguinte, permitir que os jovens e adolescentes tenham acesso as informações necessárias para manter relações sexuais conscientes, afim de diminuir a taxa de natalidade infantojuvenil e consequentemente o abandono escolar.