Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/05/2018

O romance “Clara dos Anjos” de Lima Barreto ilustra o drama de uma jovem que fica grávida na adolescência em uma época que imperam o preconceito e a desinformação. Atualmente, fora da ficção, a gravidez de adolescentes se tornou algo comum e rotineiro no cotidiano do país e, infelizmente, ainda há a falta de informação e orientação das jovens acerca dessa questão. Dessa forma, inúmeras meninas menores de 19 anos encontram-se grávidas, o que provoca a interrupção do desenvolvimento psicossocial e o aumento dos riscos de complicações durante a gestação dessas brasileiras.

Em primeiro plano, a gravidez precoce desencadeia na interrupção de um ciclo na vida da adolescente. Nesse sentido, muitas jovens param de estudar, trabalhar e buscar por melhores condições de vida para cuidarem dos filhos e da casa, o que pode provocar a ocorrência de distúrbios como a depressão e a ansiedade. Logo, tal objeção faz crescer os níveis de desemprego e dependência familiar, além de fazer perpetuar a pobreza e, consequentemente, a diminuição do desenvolvimento econômico e social do país.

De outra parte, a situação socioeconômica acarreta na falta de acompanhamento da gestação (pré-natal). Somado a isso, muitas meninas se submetem a abortos inseguros ou não recebem as informações adequadas sobre a gravidez o que as leva a gerarem crianças doentes e aumentarem o risco de morte infantil e materna. Assim sendo, a saúde pública fica impactada e os hospitais se veem cada vez mais saturados com casos que poderiam ser evitados e solucionados mais facilmente.

Urge, portanto, que o Governo crie trabalhos de educação no nível individual, familiar e comunitário, por meio de campanhas preventivas (com a distribuição de preservativos), palestras alertando para os métodos contraceptivos e usos de recursos publicitários como a mídia, que é um importante meio de comunicação, para mitigar com a desinformação e prevenir a gravidez precoce. Ademais, é importante que o Ministério da Saúde desenvolva programas, por meio de parcerias com os hospitais, para atender e acompanhar todas as gestações, visando acabar com enfermidades que podem ser combatidas durante tal processo e cuidarem, também, da saúde psicológica das jovens mães. Só assim, a desinformação será um problema ilustrado apenas nas obras fictícias como a de Lima Barreto e a gravidez na adolescência deixará de ser um problema no cenário nacional.