Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/06/2018
Adolescência digna
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990 pelo Estado brasileiro, prevê que é responsabilidade da família, da comunidade escolar e do governo proteger integralmente esse público. Entretanto, passados quase 30 anos que esse importante compromisso nacional foi assumido, a gravidez na adolescência ainda é muito recorrente no país. Logo, é imperativo que coletividade e poder público engendrem ações para superar esse problema social.
A família e a comunidade escolar falham em promoverem ações profiláticas, ou seja, ações preventivas contra a gravidez precoce. Essa realidade é facilmente observada na falta de educação sexual nas escolas, as quais deixam um vácuo de ensino quando se trata de prevenção a gravidez pois muitas vezes não instruem nem ao uso correto do preservativo. Muito dessa defasagem advém do pensamento retrógrado não do da escola, como também dos pais que muitas vezes acreditam que o adolescente ao receber orientações de como prevenir uma gravidez indesejada está sendo estimulado a praticar sexo.Tal crença é facilmente questionada com os dados do Ministério da Saúde, os quais revelaram que metade dos meninos ao chegarem no terceiro ano já possuem vida sexual ativa, desse modo, é essencial que métodos preventivos sejam discutidos, já que a prática sexual é uma realidade.
Outro fator que demonstra o despreparo da sociedade com essa problemática é a falta de suporte para a eventual jovem que engravidou. Visto que, parcela significativa das jovens grávidas precoces estão em situação vulnerável, dessa forma, falta-lhes recursos para pré-natal, parto e pós-parto dignos e apropriados. Para piorar essa situação, o Estado que deveria proteger essa jovem, não oferece apoio adequado no SUS, tornando as consequências de uma gravidez na adolescência ainda maiores. Desse modo, o suporte de profissionais da área é fundamental para diminuir os riscos gestacionais e mortalidade materna que sem o apoio apropriado são, sem dúvida, maiores.
Urge, portanto, que o país aja efetivamente frente aos adolescentes. Para tal, cabe às escolas públicas e privadas incluírem na sua grade curricular aulas periódicas que instruam e conscientize o jovem tanto com ações preventivas como o uso correto do preservativo e da pílula do dia seguinte, como também de esclarecimentos acerca de como a gravidez pode ocorrer, mesmo sem o ato sexual. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde disponibilizar no SUS profissionais especializados e direcionados aos jovens em tal situação para, dessa forma, dar o suporte necessário à saúde da jovem grávida. Assim, observada uma ação conjunta entre os agentes sociais, o Brasil passará a promover uma adolescência digna, fazendo jus ao compromisso firmado em 1990 com o ECA.