Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/06/2018

Segundo o Ministério da Saúde, o número de adolescentes grávidas caiu 17% em 2017. Contudo, a taxa de natalidade entre mulheres que não atingiram a maioridade continua elevada no Brasil. Nesse contexto, convém analisar fatores que contribuem para a problemática, bem como medidas capazes de solucioná-la.

Em primeira análise, pode-se destacar a falta de diálogo sobre sexualidade tanto no âmbito familiar quanto escolar. O embaraço e a errônea crença de que falar sobre o assunto com os jovens pode estimulá-los ao ato desencoraja os adultos a tratarem de temas como métodos contraceptivos e gravidez. Dessa forma, ainda que não estejam adequadamente instruídos e detenham pouco acesso à contracepção, muitos adolescentes se tornam sexualmente ativos alheios aos riscos a que são expostos.

Dessa questão, desdobra-se uma outra, imprescindível para o entendimento do problema: o abuso sexual, também relacionado à concepção precoce. Por vergonha e medo, muitas garotas que sofrem tal crime evitam realizar denúncias e procurar atendimento médico, tendo em vista que seus algozes, em sua maioria, são homens próximos de suas famílias — quando não integram a mesma. Isto posto, não acessam profilaxias pós exposição à doenças sexualmente transmissíveis e contracepção emergencial. Tal subnotificação e a própria violência em si acarretam condutas destrutivas, como a busca por clínicas de aborto clandestinas e suicídio, o que eleva a mortalidade de mães menores de idade.

Dessa forma, a gravidez na adolescência ainda requer ações mais efetivas para ser atenuada na sociedade brasileira. A partir disso, o Ministério da Educação deve alterar a grade curricular dos Ensinos Médio e Fundamental, de forma a tornar obrigatória aulas de Educação Sexual, a fim de educar e discutir o tema, considerado tabu. Espera-se, com isso, diminuir o número de concepções indesejadas. O Governo Federal deve, por meio de campanhas publicitárias de circulação nacional, incentivar a denúncia de violência sexual, com o objetivo de atender as vítimas e protegê-las das consequências do crime.