Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/06/2018
Assim como Beth, personagem da série americana “Rick and Morty”, concebeu sua filha Summer ainda adolescente, a incidência de jovens grávidas é uma realidade preocupante no Brasil, em razão da alta taxa de morbidade materna e por estar vinculada a casos de abuso infantil. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que colaboram para esse quadro se agrave e os caminhos para combatê-los.
Uma adolescente como Beth corre inúmeros riscos durante uma gestação. Como evidencia a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), uma das principais causas de óbito de jovens entre 15 e 24 anos é justamente complicações de saúde antes, durante e depois do parto – até mesmo por infecções advindas de abortos clandestinos que, mesmo criminalizados, ainda ocorrem no Brasil. Tais ocorrências fazem a OPAS considerar a gravidez na adolescência como de alto risco, posto que coloca em perigo muitas vidas e que, portanto, é uma problemática atual e necessária de ser combatida.
Não bastasse a mortalidade materna, o outro alicerce do problema se encontra no elevado índice de abuso infantil no país. De acordo com o próprio portal do Governo do Brasil, 67,7% dos menores violentados são do sexo feminino, o que se torna um fator amplificador da incidência de gestações prematuras. Em vista disso, tais estatísticas mostram que muitas adolescentes não engravidam de forma deliberada, e sim produzem frutos da violência sexual. Logo, faz-se necessária a adoção de medidas que modifiquem esse panorama.
Ao contemplar as causas e consequências da gravidez na adolescência, fica claro que é preciso alterar esse cenário. É imprescindível, portanto, que o Ministério da Saúde impulsione o acesso a métodos contraceptivos, como a pílula anticoncepcional e a camisinha, utilizando as mídias nacionais de grande abrangência para promover campanhas que salientem a importância das relações sexuais seguras, visando a diminuir ao máximo as gravidezes indesejadas. Da mesma forma, é preciso que o Governo puna as relações sexuais sob coação, a partir de leis que proíbam práticas como o casamento infantil, por exemplo, a fim de manter as crianças e adolescentes seguras e gestando apenas sonhos de um futuro promissor.