Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como adolescente aqueles que possuem entre 10 a 19 anos de idade. Sabendo disso, é inaceitável que, no Brasil, persistam os casos de gravidez na adolescência, haja vista a grande responsabilida-de que isso traz aos cidadãos em formação. Logo, tal problemática é causada pela desinformação e pelo machismo estrutural.

Sob esse viés, a gestação precoce é resultado da falta de informação. Nesse senti-do, a série animada “Big Mouth” retrata as complicações sofridas pelos jovens du-rante seu desenvolvimento sexual, e grande parte dos empecilhos foram causados pela falta de instrução adequada nessa fase. Analogamente, nota-se que a ausên-cia de educação reprodutiva torna os menores vulneráveis às consequências nega-tivas de práticas desse cunho, haja vista a falta de ciência dos métodos adequados de prevenção. Dessa forma, os adolescentes que não sabem sobre a importância dos preservativos e, tal como mostrado na série, sequer sabem como usá-los, tor-nam-se propícios a uma gravidez imatura.

Outrossim, o sexismo enraizado na sociedade intensifica a problemática. Partindo dessa lógica, a filósofa Simone de Beauvoir, na sua reflexão acerca dos papéis de gênero sociais, afirma que a identidade feminina é construída de acordo com o corpo social, e, na cultura ocidental, a mulher está sujeita a ser subjugada. Dentro dessa análise, a falta de conhecimento que fomenta os casos de gestação precoce é produto dos estigmas sobre o corpo feminino que se perpetuam na nação, haja vista o descaso evidente com o ensino adequado sobre a saúde da mulher. Portan-to, a misoginia agrava a desinformação, uma vez que atrasa o ensino sobre a ana-tomia reprodutiva feminina e, assim, as meninas não aprendem a se previnir.

Em suma, a gravidez na adolescência é causada pela desinformação e pelo machis-mo estrutural. Então, é dever do Ministério da Educação, responsável pela forma-ção cidadã, elucidar os jovens sobre sua saúde sexual, por meio da elaboração de um material didático acerca do tópico que será utilizado nas unidades de ensino básica do país, a fim de reduzir os casos de gestação precoce. Ademais, o Ministé-rio da Saúde deve informar os pais sobre a importância da educação preventiva, mediante a divulgação de campanhas informativas veiculadas na mídia.