Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/06/2018

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde revelam que os casos de gravidez na adolescência, no Brasil, superam a média da América do Sul, atingindo cerca de 68 a cada 1000 meninas entre 15 e 19 anos. Dessa forma, a gravidez precoce se mostra hoje como um problema  a ser enfrentado pelo país, existe tanto em virtude do desconhecimento sobre a temática quanto em razão do contexto em que o jovem está inserido e precisa ser atenuada.

Primeiramente, a pouca atenção dada a educação sexual na escola e na família contribui para a situação. Isso porque, muitas vezes, o sexo é considerado um tabu e, por isso, é pouco discutido, fazendo com que os jovens aprendam sobre o assunto em locais inadequados ou com amigos e não recebam as informações necessárias para manterem-se prevenidos. Além disso, de acordo com Drauzio Varella, a situação de baixa escolaridade corrobora para o problema, já que, mulheres com menos de 4 anos de estudo têm filhos mais cedo e, em média, têm 3 filhos a mais que as universitárias. Por conseguinte, desinformadas sobre o assunto e carentes de educação, as adolescentes tornam-se suscetíveis a engravidar cedo e a se prejudicar no âmbito intelectual e econômico por, em geral, optarem pela evasão escolar e, assim, posteriormente, não obterem espaço no mercado de trabalho.

Ademais, a inconsequência, comum na juventude, colabora com a questão. Nesse sentido,  percebe-se na adolescência um forte pensamento hedonista, - o qual busca pelo prazer absoluto sem se importar com os efeitos das atitudes- que, somado a desinformação, tem como resultado a gravidez precoce, em que os jovens agem por impulso, não se protegem e acabam com impactos indesejados. Nesse cenário, essas ações irresponsáveis ainda são, frequentemente, potencializadas por uso de álcool e drogas, prova disso, é o dado do G1, o qual afirma que nos bailes funk de São Paulo -locais repletos de jovens usando entorpecentes- tem-se uma média de uma gravidez por dia.

Torna-se evidente, portanto, que a gravidez na adolescência é problemática no Brasil e medidas são necessárias para mitigar a situação. A princípio, é dever do governo, por meio de MEC, distribuir nas escolas cartilhas educativas que exibam informações sobre prevenção da gravidez e de DST’s, além de promover debates e palestras com médicos, pedagogos e professores que tratem sobre os problemas relacionados a gravidez precoce e ensinem educação sexual de forma responsável e prudente; isso, com o intuito de orientar e conscientizar os indivíduos sobre a seriedade da sexualidade, desde a adolescência. Outrossim, a mídia deve desenvolver ficções engajadas que mostrem o drama da gravidez indesejada na adolescência de forma clara e tragam formas de impedir que ocorra. Tudo isso, com o fito de formar jovens mais sensatos e evitar que crianças tenham que criar crianças.