Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 17/06/2018
Na Idade Média, a principal função feminina era gerar filhos para garantir a hereditariedade familiar e as jovens tinham maior participação nesse processo por serem consideradas mais férteis. No Brasil hodierno, a atual discussão acerca da gravidez na adolescência evidencia uma relação com o Período Medieval, todavia, os motivos pelos quais acontecem as gravidezes são diferentes. Desse modo, as relações religiosas e o nível de escolaridade das jovens são fatores que estão diretamente relacionados à problemática.
Em primeira análise, destaca-se que a crença religiosa possui grande influência sobre as jovens no que tange à decisão de engravidar. Apesar da grande variedade de religiões no Brasil, existem algumas convergências sobre suas ideologias, como a função feminina de casar e ter filhos, e isso pode ser consequência de uma herança de tradições históricas. Dessa forma, um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais revela que filiados às igrejas protestantes e pentecostais podem vir a se casar mais cedo e constituir famílias ainda muito jovens, pois são incentivados dentro da instituição. Logo, é evidente que os filhos nascidos de pais entre 15 e 19 anos não são, portanto, necessariamente resultado de descuidos, podem ter sido planejados.
Ademais, ressalta-se que a adolescência é marcada por um complexo processo de desenvolvimento biológico, psicológico e social e vários fatores podem influenciar na gestação, dentre eles o nível de escolaridade. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, a concepção de bebês por jovens é uma patologia social e as instituições de ensino são uma das responsáveis por combater esse problema. Logo, é evidente que a ausência do ambiente escolar prejudica a formação educacional e contribui para uma educação sexual ineficaz, o que, consequentemente, favorece o aumento do número de casos de mulheres que engravidam antes da fase adulta.
Urge, portanto, que ações sejam realizadas com o fito de combater a gravidez na adolescência no Brasil. Mormente, as instituições religiosas, responsáveis por influenciar uma grande parte da população, devem abordar mais a problemática, por meio da organização de encontros entre jovens em que os participantes se posicionarão sobre o tema e discutirão as consequências de ter um bebê, como fatores financeiros. Dessa maneira, será possível que as igrejas sejam agentes no combate à gestação precoce e que número de casos diminua no país. Concomitantemente, as famílias devem assegurar que os menores sob seus cuidados não se distanciem do ambiente escolar, por intermédio de conversas rotineiras sobre a importância de continuar estudando. Sendo assim, o objetivo é garantir o contato com as informações sobre educação sexual para evitar a gestação antes da fase adulta.
objetivo: garantir o nivel de escolaridade