Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 20/06/2018

Quebra-cabeça social

Na visão de René Descartes, considerado Pai da Filosofia Moderna, “Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”. Embora séculos tenham se passado desde a afirmativa, questões como a gravidez na adolescência ainda são consideradas grandes entraves difíceis de serem resolvidos. É latente que esse cenário se agrava devido a falta de instrução no assunto bem como a escassez de conhecimento dos métodos contraceptivos, requerendo assim mudanças em caráter de urgência.

Em primeira instância é válido destacar que, segundo pesquisa divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), a cada mil meninas brasileiras com idade entre 15 a 19 anos no período de 2010 a 2015, aproximadamente 69 engravidaram. Tal estimativa é alarmante e gera enfoque aos principais causadores, principalmente à má conscientização dos jovens acerca do tema, já que o sexo é considerado um “tabu” dentro de suas casas. Dessa maneira, além de estarem em uma fase de mudanças físicas e psíquicas turbulentas, encontram dificuldades na orientação da temática com seus responsáveis.

Ainda convém elencar que a gravidez precoce gera alguns desafios que podem dificultar ainda mais essa transição de vida. Dentre eles está o abandono da criança pelo pai, que, normalmente, têm uma relação sexual desprotegida e, ao descobrir a gestação, não assume a paternidade. Apesar de ser uma atitude criminosa, esses seres ficam sem pensão, o que pode agravar sua condição de vida fazendo-o entrar no contexto de grandes mazelas sociais (fome, pobreza, falta de moradia etc). Dessa forma, enquanto não houver conscientização dos jovens em relação ao uso de medidas protetivas somadas a falta de maturidade dos adolescentes o único resultado possível será negativo, podendo prejudicar a vida dos responsáveis bem como a sociabilidade do bebê.

Fica evidente, portanto, a necessidade de soluções práticas e eficientes para o combate da gravidez na adolescência. A começar pela base familiar que precisa, desde os primórdios, orientar seus filhos por intermédio de conversas acerca da educação sexual com o fito de ensiná-los que devem utilizar os métodos contraceptivos para evitar a gestação precoce bem como doenças sexualmente transmissíveis. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça a criação de um programa de identificação dos pais a fim de registrar e cobrar as devidas ajudas financeiras, assim, as crianças possuirão identificação materna e paterna e receberão seus direitos. Destarte, toda a nação brasileira poderia homologar com o ideal Descartiano, adotando medidas burocráticas, porém eficazes; solucionando assim esse quebra-cabeça social.