Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 20/06/2018

Desde o séc. XVI, com o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a gravidez na adolescência em evidência, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela ineficiência de investimento e prestígio político, seja pelo preconceito que o assunto ainda é tratado.

Nesse sentindo, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade. É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do impasse. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a ineficiência de investimento e prestígio da política rompe essa harmonia, haja vista que o Ministério da Saúde não está atuando efetivamente em prol de políticas públicas que combatam tal problemática, uma vez que, a taxa de nascimentos a cada mil adolescentes entre 15 a 19 anos entre 2005-2010 diminui insuficiente comparada com a taxa de 2010-2015, segundo dados da OMS.

Outrossim, destaca-se o preconceito ao tratar a temática como impulsionador do problema. Segundo a filósofa Agnes Heller, em sua obra O Cotidiano e a História, crer em preconceitos é cômodo porque nos protege de conflitos, porque confirma nossas ações anteriores. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito é um fator de coesão social e, de maneira coercitiva, os adultos não se mobilizam em sanar as dúvidas juvenis que possam aparecer quanto ao sexo. Ao não se falar sobre o assunto, não é possível pensar conjuntamente com os jovens métodos de resolução. É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor.

Destarte, o Ministério da Saúde deve propor um projeto para aumentar o investimento político, promovendo debates na Câmara dos Deputados a fim de adotar medidas de prevenção da gravidez precoce. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por assistentes sociais e biólogos, que discutam sobre métodos contraceptivos e a sua importância, além de apresentar o impacto de uma gravidez na adolescência com a finalidade que o o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.