Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 23/06/2018
O sociólogo Émile Durkheim, afirmou que “o homem mais do que formador da sociedade, é produto dela”, logo, a construção do ser social está relacionada ao meio em que vive. Similarmente a isso, as taxas de gravidez na adolescência no Brasil se tornam cada vez mais notórias, demonstrando a ineficiência do meio onde as adolescentes estão inseridas, com falta informacional dos malefícios da gravidez nessa fase da vida. Portanto, é necessário uma mobilização social para que o tema seja levado mais à sério, visto que esse problema seja atual, conquanto tenha arraigados fatos históricos e efeitos socioculturais.
Desde antes da colonização dos portugueses, com a cultura indígena, as mulheres sempre tiveram a função de cuidar dos filhos e do lar, enquanto o homem era o provedor da casa. Ainda no século XX, até seu uso ser legalizado, os anticoncepcionais eram vistos como um tabu e as mulheres não podiam fazer nada que as impedissem de ter filhos, era uma proibição. Esse ideal de que a responsabilidade da mulher é casa e filhos perdura até os dias atuais, dado que algumas adolescentes não almejam visão de futuro promissor, de independência, de que podem ter as suas conquistas, mas tem em mente que sua responsabilidade é o lar e filhos em virtude das influências do meio machista onde vivem, logo, permanecer com esse ideal leva as jovens a engravidarem cada vez mais cedo.
O sexo na adolescência traz diversos riscos para a vida das jovens, como por exemplo, as doenças sexualmente transmissíveis, o problema da gravidez indesejada e a morte materna. A falta de programas educacionais e do diálogo sobre sexo, visto as vezes como tabu, gera uma inconsciência sobre o assunto, em virtude disso, as experiências cada vez mais precoces das meninas com sexo tem aumentado, mas muitas não tem informação sobre contraceptivos, sem pensar nos riscos para si mesmas, como a gravidez indesejada. No Brasil, o aborto não é legalizado e clínicas clandestinas são crimes, mas se tornam alternativas arriscadas para as mães que não querem ter os filhos, pois de acordo com a pesquisa da OMS, a cada dois dias uma mulher morre no país vítima de aborto clandestino.
Destarte, é necessário que haja mais debates com os jovens sobre a gravidez na adolescência, expondo os riscos que ela causa para saúde e tamanha responsabilidade que não deveria ser assumida por jovens nessa fase da vida, enquanto suas preocupações deveriam ser outras, junto a isso, deve haver maior disponibilidade de contraceptivos. Adicionalmente, a cultura machista deve ser disseminada, afinal de acordo com o artigo 5º da Constituição, todos tem direitos iguais perante a lei, portanto elas não devem se limitar a ideais machistas de cuidarem só da casa e dos filhos.