Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/09/2018

A gravidez precoce remete ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área da saúde estabelece limites nas relações entre os homens. Essa negligência social afeta, inclusive, a população juvenil. É nesse viés que a problemática da gravidez na adolescência aponta os desvios comportamentais da sociedade nos atuais paradigmas do Brasil.

Em primeira análise, as causas da problemática podem ser analisadas sob perspectivas sociais e humanas, tendo em vista que se tornaram reflexos da perpetuação do individualismo no tecido social brasileiro. É notório que o diálogo se faz ausente nas famílias atuais. Sendo assim, assuntos como sexo e gravidez não são esclarecidos pelos pais aos filhos. Os jovens, então, criam medo de conversar com os pais quando isso se torna necessário, já que não encontram um ambiente confortável para diálogo. Dessa forma, percebe-se, na área da saúde, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard. Não estaria, então, a falta de consciência coletiva contrapondo a vida social ao observar o alto índice de gravidez precoce?

Incontestavelmente, a problemática destaca como os indivíduos, de maneira inconsciente, são influenciados pela própria sociedade. A falta de diálogo faz com que as jovens escondam a gravidez de seus pais, usando cintas apertadas que podem prejudicar o desenvolvimento dos bebês. Além disso, o pré-natal não é realizado. Essa atitude pode colocar em risco a vida da mãe e da criança. Além disso, a gravidez precoce interrompe a vida escolar dos envolvidos, fazendo com que os pais busquem o mercado de trabalho sem uma profissionalização, dependendo de um trabalho instável para sustentar o bebê. Dessa maneira, ao analisar a problemática da gravidez precoce, pode-se dizer que há uma relação de interdependência entre o indivíduo e a sociedade, como teorizada pelo sociólogo alemão Norbert Elias.

Fica evidente, portanto, que os preceitos elementares entre indivíduo e sociedade, assegurados pela teia de interdependência de Elias, devem ser explorados de forma que a população brasileira adquira novos valores de cidadania acerca do diálogo entre pais e filhos. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Educação promova a criação de vídeos e de enquetes, por meio de plataformas digitais, com discussões e debates desenvolvidos por profissionais da área sobre a gravidez na adolescência, de forma que a Educação Social desperte a preocupação e o conhecimento da população, já que se observa uma alteração nos padrões sociais brasileiros. Como dizia Skinner, autor norte-americano, a educação sobrevive mesmo quando todo o resto aprendido é esquecido.