Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/08/2018

De acordo com a agência da ONU, um em cada cinco bebês que nascem no Brasil é filho de mãe adolescente. Com isso, surge a problemática da gravidez na adolescência, responsável por comprometer o futuro das jovens brasileiras. Diante disso, a ausência de uma cultura de educação sexual e o acesso limitado ao planejamento reprodutivo são fatores que contribuem para o aumento de casos de maternidade precoce no Brasil.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o falho sistema educacional faz com que a educação sexual seja esquecida durante a vida letiva dos estudantes. Conforme Foucault, a sociedade moderna tende a tornar tabu os assuntos que causam desconforto à população. Desse modo, temas como sexualidade e gravidez ficam restritos a ações pontuais, o que ocasiona, por sua vez, a ausência de debate tanto no ambiente familiar quanto no escolar. Diante disso, deve-se conversar abertamente sobre o assunto, para, assim, instruir as jovens sobre prevenção à gravidez indesejada.

Além da questão educacional, é evidente a limitação do acesso ao planejamento reprodutivo por parte de jovens de baixa renda. Prova disso é que, em 66% dos casos de gravidez precoce, as jovens apresentam as mesmas experiências vividas por suas mães e avós. Isso ocorre pelo contexto social que essa jovem é inserida, sem informação e sem chance de melhora, o que faz com que ela reproduza o que sempre vivenciou, pois vê nesse comportamento a única opção para si, o que colabora para o abandono dos estudos e pela maior dificuldade no ingresso ao mercado de trabalho.

Torna-se evidente, portanto, que a gravidez precoce é um mal para a sociedade brasileira. Diante disso, cabe ao Ministério da Saúde, a distribuição de cartilhas e a criação de campanhas publicitárias que orientem adolescentes acerca dos métodos contraceptivos, influenciando a mudança comportamental dos mesmos. Ademais, as escolas devem realizar palestras, abordando temas de contracepção e prevenção de gravidez na adolescência, por meio de profissionais de saúde que, atrelado aos professores, proponham dinâmicas didáticas que esclareçam os jovens quanto aos possíveis desafios que essa gravidez pode trazer. Dessa forma, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela diminuição nos índices de gravidez precoce.