Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/08/2018

O Barroco, movimento literário do século XVI, marcou com dualismos não somente a arte, mas também a população, cujos dilemas caminhavam entre a moralidade e a devassidão. Embora meio século tenha se passado, a postura antitética ainda representa as relações sociais pós-modernas no Brasil: a sociedade, na qual os tabus ainda exercem grande influência, é a mesma que também apresenta estatísticas alarmantes acerca da gravidez na adolescência. Cabe, dessa forma, uma reanálise estrutural em torno dos problemas que acarretam a expressividade dos números.

É válido, sobretudo, associar os altos índices de natalidade precoce à falta de instrução familiar e escolar. Uma vez que constata-se que tópicos referentes à sexualidade são pouco debatidos dentro de casa, especialmente em uma sociedade fundamentalmente marcada pelo patriarcalismo e conservadorismo, a juventude apresenta maior vulnerabilidade aos riscos de uma vida sexual desinformada, haja visto que as instituições de ensino também não são regulamentarmente comprometidas a introduzir o assunto ao currículo básico. Prova disso é o levantamento feito em 2013 pela Federação Internacional do Planejamento Familiar, que apontou que o Brasil apresenta um dos piores índices de educação sexual da América Latina — fato esse que se correlaciona à falta de planejamento familiar e perspectiva de vida enfrentada pelos jovens.

Nesse sentido, também destacam-se os altos dados de gravidez púbere como uma falha de assistência pública. Principalmente em áreas de vulnerabilidade socioeconômica, encontram-se os maiores registros de ocorrência não só de doenças sexualmente transmissíveis, como também de casamentos infantis e abandono estudantil. Fatores como esses expõem e ressaltam a desigualdade social brasileira, na qual observa-se que, enquanto em áreas privilegiadas adolescentes ganham carros ao passar na faculdade, nas áreas periféricas as carteiras escolares são trocadas por fraldas e mamadeiras.

É notória, portanto, a imprescindibilidade da implementação, pelo MEC (Ministério da Educação), em consonância com o MS (Ministério da Saúde), de projetos educativos desenvolvidos dentro das escolas, a fim de discutir, alertar e prevenir a natalidade não-planejada através da promoção de reuniões regulares assistidas por líderes aptos. Prova da eficácia é a redução de 11% no número de mães jovens no Acre, onde o projeto é desenvolvido dentro das instituições estaduais. Além disso, faz-se necessário que o MS amplie as áreas de alcance e reforços aos postos de assistência social, para que haja maior acompanhamento de distribuição de métodos contraceptivos gratuitamente. Dessa forma, a postura contraditória barroca poderá ser derrubada para dar lugar a um racionalismo renascentista.