Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/08/2018

A gravidez na adolescência, no Brasil, tem sido um tema preocupante. As altas taxas de fertilidade entre as jovens, a interrupção dos estudos por conta da gestação e os riscos físicos e sociais para as adolescentes são exemplos ilustradores desse regresso contínuo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de nascimentos a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos é de 68,4, sendo o maior índice da América Latina. Assim, torna-se necessária a adoção de novas medidas que atenuem a questão.

Por meio das Revoluções Industriais, em meados do século XX, e mediante ao desenvolvimento dos anticoncepcionais na década de 1960, houve uma transformação nos relacionamentos e no comportamento feminino, já que as mulheres puderam desvincular a vida sexual da reprodutiva e ficaram mais independentes para o mercado de trabalho. Contudo, mesmo com a propagação de diversos métodos contraceptivos como preservativos, implantes e pílulas, o tabu a respeito do tema em meio familiar ainda é frequente, na qual a falta de debate pelos responsáveis pode gerar uma gravidez precoce e até mesmo a dificuldade em acompanhar a gestação, o que oferece riscos tanto para a saúde física da mãe e do bebê, como complicações no parto, até sociais, pela dificuldade em retornar aos estudos e inserção rápida no ramo trabalhista.

Outro fator que impulsiona o problema é a falta de educação escolar. Para o sociólogo Émile Durkheim, o papel da educação é formar um indivíduo que se torne parte do espaço público, e não apenas um ser com o desenvolvimento intelectual destacado. Entretanto, as instituições de ensino, têm constantemente negligenciado uma orientação sexual adequada, o que bloqueia então a falta de informação a respeito dos métodos contraceptivos, além de impedir a criação de cidadãos instruídos. Assim, destaca-se a alta taxa de fecundidade entre jovens, exemplificada pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que desde 1980 o número de adolescentes grávidas aumentou 15%, na qual 1,3% desse total são partos realizados em garotas de 10 a 14 anos.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Segundo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa  forma, o Ministério da Educação deve implantar leis para estabelecer a educação sexual nas escolas, por meio de profissionais adequados que ensinem a respeito do impacto de uma gravidez precoce, da importância da contracepção e do planejamento familiar, para que os jovens sejam instruídos. Além disso, o Ministério da Saúde deve efetivar a redução de impostos sobre medicamentos anticoncepcionais, através da criação de legislações, para que haja maior acesso aos métodos contraceptivos, e, assim, haja a redução da gravidez jovem em solo nacional.