Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 05/09/2018

O filme americano “Juno”, lançado em 2008, relata a experiência de uma jovem a qual enfrenta várias dificuldades (sociais, psicológicas e físicas) por uma gestação precoce e indesejada. Todavia, fora da ficção, essa é uma realidade vivida por inúmeras brasileiras e põe a gravidez na adolescência em questão no Brasil. Verifica-se que tal problemática está baseada em duas grandes causas: a deficiência do SUS, e a vulnerabilidade econômica.

Em primeiro plano, o SUS é deficiente no combate aos índices de gravidez do país devido à escassez de recursos. Segundo o Ministério da Saúde, entre os anos de 2015 e 2017, a taxa de natalidade entre as jovens de 12 e 17 anos cresceu 25,6% e em contra partida os investimentos relativos à prevenção da gravidez juvenil no SUS diminuíram 19% no mesmo período. De fato, a partir desses dados percebe-se que há relação próxima entre a diminuição verba e aumento dos casos citados, revelando, nesse contexto, ineficácia desse sistema nacional que não consegue cumprir plenamente sua função por estar submetido a arrochos que levam , por exemplo, a falta de campanhas de prevenção no território nacional. Assim, fica claro que esse viés do problema refere-se a carência de ferramentas de auxilio decorrente de um repasse mínimo , urgindo a necessidade de resolução.

Em segundo plano, a vulnerabilidade socioeconômica influencia diretamente na ocorrência da gravidez precoce. Segundo o médico brasileiro, Dráuzio Varella, “a pobreza é a porta de entrada para uma gestação não planejada, principalmente entre menores de 18 anos”. Essa tese ratifica os dados apresentados pela FUNASA, que nos últimos 20 anos, mais de 69% das “meninas-mães” são pobres e possuem, majoritariamente, uma frágil estrutura familiar - que perpetua o ocorrido, na maioria das vezes, desde gerações passadas. Logo, essas meninas geram filhos muito cedo, perdem uma parte da juventude e de veras não estão preparadas para educar, então, percebe-se a gravidade dessa questão porque aliada a pobreza os mecanismos de prevenção funcionam com limitações. Logo, são notórias as consequências do pauperismo nessa seara da sociedade e magnitude desse tema no cenário brasileiro.

Dado o exposto, medidas são necessárias para que a gravidez na adolescência, no Brasil, seja resolvida. O Governo Federal deve investir expressivamente no SUS, por meio do fundo nacional de saúde ( fns ) . Vale ressaltar que tal ação mitigaria de forma célere a falta de propagandas de prevenção realizada pelo órgão. Ademais, o Governo Federal deve também investir na erradicação da vulnerabilidade econômica do país, por meio da escolarização dos jovens brasileiros e maiores oportunidades de emprego. Dessa maneira, a realidade das “meninas-mães”,fomentada pela pobreza, será mitigada.